Cuidado | Saúde

Tudo sobre as mudanças no corpo do idoso

por Marcia Di Domenico
22 de julho de 2020

Entenda como ossos, pele, olhos e outras partes do corpo são afetados pelo envelhecimento

Foto: Roman Samborskyi – Shutterstock

O envelhecimento é um processo natural, contínuo e progressivo, que se dá pelo desgaste das células e tecidos do organismo e das funções desempenhadas pelos órgãos à medida que o tempo avança. Ele pode acontecer em ritmo mais lento ou mais rápido, dependendo dos hábitos de vida e da genética de cada indivíduo, mas é inevitável. Alterações biológicas associadas ao envelhecimento provocam as mudanças no corpo do idoso que explicamos aqui. Embora muitas vezes invisíveis externamente, elas afetam diretamente sua saúde geral e o bem-estar dos mais velhos.

Como o envelhecimento leva às mudanças no corpo do idoso

Músculos

A perda de massa muscular faz parte do processo envelhecimento: começa por volta dos 30 anos, devido a mudanças hormonais e fisiológicas, e avança progressivamente. Sedentarismo e alimentação desequilibrada também influenciam a perda de tecido muscular ao longo da vida. As principais conseqüências são diminuição de força e equilíbrio e prejuízo à capacidade funcional dos idosos, que passam a ter dificuldade de mobilidade e realização de atividades do dia a dia, e correm mais risco de sofrer quedas. 

Em estágio avançado, a perda muscular tem o nome de sarcopenia. De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, cerca de 15% dos brasileiros com mais de 60 anos e quase metade (46%) daqueles com mais de 80 anos têm sarcopenia. Fazer atividade física regularmente e seguir uma dieta com quantidades adequadas de proteínas são ações importantes para manutenção da massa magra da juventude à velhice.  

Gordura

Paralelamente à diminuição do tecido muscular, ocorre o aumento na concentração de gordura corporal. Para se ter uma ideia, estima-se que uma pessoa de 75 anos apresente o dobro da gordura que tinha aos 25 anos, o que desencadeia diversas outras mudanças no corpo do idoso. Um estudo publicado recentemente na revista científica Nature Medicine descobriu que, com o envelhecimento, ocorre um desequilíbrio entre os processos de armazenamento de gordura e de remoção de estoques de gordura no organismo, o que facilita que pessoas idosas ganhem peso. 

Há, também, o fator hormonal: a queda na produção de testosterona (nos homens), estrogênio e progesterona (nas mulheres) desacelera o metabolismo e favorece o armazenamento de gordura corporal. Principalmente nas mulheres, a variação hormonal também modifica o padrão de distribuição do tecido adiposo, que passa a se concentrar principalmente na barriga (em vez de nos quadris).

Ossos e articulações

A deterioração do tecido ósseo atinge homens e mulheres por volta dos 60 anos, levando a osteopenia (perda moderada) e osteoporose, que é a doença definida pela baixa densidade óssea e, consequentemente, ossos mais frágeis e sujeitos a quebra. De acordo com os especialistas, atingimos um platô de massa óssea por volta dos 25 anos, o que significa que até essa idade todo o conteúdo mineral do esqueleto já foi formado. A partir daí, o organismo perde mais tecido ósseo do que ganha. 

As mulheres são de longe as mais afetadas pela baixa densidade óssea quando envelhecem – uma em cada cinco com mais de 50 anos no Brasil, pelos dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) – já que o hormônio estrogênio, em baixa na menopausa, tem efeito protetor dos ossos. O perigo máximo de ter ossos frágeis é sofrer fraturas por queda, principalmente em quadril, fêmur, vértebras e antebraço. Ainda que não ocorram lesões, ossos fracos podem gerar dores, desvios posturais, perda de mobilidade e funcionalidade, e prejuízos para a saúde geral – problemas de postura por deformidade óssea podem afetar a função respiratória e a deglutição, por exemplo.

Com o tempo, a cartilagem que reveste as articulações também sofre desgaste, tornando-se mais fina, e tendões e ligamentos perdem elasticidade. Tudo isso pode resultar em perda de mobilidade, dor e piora da qualidade de vida do idoso.

Pele

Vai ficando mais fina, flácida e ressecada com o tempo, resultado da desidratação natural do organismo somada à queda na produção de suor e das proteínas colágeno e elastina, que dão sustentação e elasticidade à pele. A camada de gordura sob a pele também afina à medida que envelhecemos, o que ajuda a explicar a perda de volume e o aparecimento de rugas na face. A quantidade de melanócitos (células que fabricam melanina, pigmento que dá cor à pele) diminui, o que torna a pele do idoso menos protegida contra a radiação solar e mais sujeita ao aparecimento de manchas escurecidas. 

Todas essas mudanças no corpo do idoso tornam a pele madura mais frágil e suscetível à irritação pelo uso de sabonetes e cremes hidratante, e até pelo contato com as roupas. O ideal é dar preferência a fórmulas cosméticas neutras (à base de glicerina, por exemplo) e evitar fricção intensa durante o banho e no momento de se enxugar. 

Pulmões

Assim como acontece com a musculatura do corpo todo, os músculos envolvidos na respiração ficam mais fracos com o envelhecimento, fazendo com que menos oxigênio seja absorvido quando o ao ar é inspirado. Os pulmões também ficam mais rígidos. A perda de força nos músculos respiratórios dificulta a eliminação de microrganismos e secreção pelas vias áreas, o que pode se refletir em risco maior de infecções. A capacidade aeróbia diminui com a idade, e pode limitar a prática de exercícios intensos. Ainda assim, pessoas idosas fisicamente ativas podem ter capacidade aeróbia melhor do que os idosos inativos ou mesmo jovens sedentários.

Boca e nariz

A boca fica mais ressecada devido à redução na produção de saliva, o que pode dificultar a mastigação e a deglutição, além de provocar mau hálito. Como o número de papilas gustativas na superfície da língua diminui com o envelhecimento, a percepção de sabor fica alterada. Essas mudanças no corpo do idoso fazem com que muitos deixem de sentir gosto e, com isso, vão perdendo o prazer de comer ou exageram no uso de temperos e condimentos. A capacidade de sentir os aromas também diminui porque o revestimento do nariz se torna mais fino e ressecado. 

Olhos

Alterações no cristalino fazem com que fique mais difícil focar objetos ou ler de perto à medida que os anos passam – é a chamada presbiopia, que afeta praticamente todas as pessoas a partir dos 40 anos – além de modificarem a percepção das cores e do contraste entre elas. A retina se torna menos sensível, e isso faz com que as pessoas precisem de luz cada vez mais forte para ler. Idosos se queixam de olho seco, o que acontece pela perda de função das glândulas lacrimais e pela desidratação natural do organismo, que interfere na composição do filme lacrimal, que mantém a superfície do olho lubrificada.  

Cérebro

Lapsos de memória, raciocínio mais lento e dificuldade para fixar novos conhecimentos ocorrem pela redução no número de células nervosas e na capacidade da comunicação entre elas. O fluxo sanguíneo para o cérebro diminui e, com isso, o transporte de oxigênio e nutrientes, o que pode fazer com que o cérebro passe a funcionar pior.

Das patologias neurológicas relacionadas ao envelhecimento, a doença de Alzheimer (que se instala a partir do acúmulo da proteína beta-amilóide no hipocampo, área que controla a memória e o aprendizado) e a demência vascular (perda de função cerebral devido a lesões, como se fossem pequenos AVCs, causadas por falhas no suprimento de sangue para o cérebro) são as mais comuns. As duas são fortemente influenciadas pelos hábitos de vida e, portanto, evitáveis. 

Sobre a autora:

Marcia Di Domenico

É jornalista e escritora. Trabalhou por mais de dez anos como editora de saúde, bem-estar e comportamento em revistas e sites de lifestyle. Hoje colabora com reportagens e produz conteúdo para internet e veículos impressos.

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