Cuidado | Saúde

Surdez na terceira idade: como identificar e tratar?

por Paula Lima
23 de julho de 2020

Conheça os sintomas da perda auditiva em idosos e saiba o que é possível fazer para reduzir esse desconforto, que prejudica (e muito!) a qualidade de vida

Foto: adriaticfoto – Shutterstock

A surdez na terceira idade, chamada pelos médicos de presbiacusia, faz parte do processo natural de envelhecimento pelo qual o nosso corpo passa. De acordo com o otorrinolaringologista Fabiano Brandão, do Hospital Paulista, em São Paulo (SP), a queda da capacidade auditiva é considerada normal a partir dos 50 anos, pois algumas células que desempenham essa função morrem à medida que a idade avança. “No entanto, outros fatores podem acelerar a perda da audição, como o diabetes, o tabagismo, a hipertensão e o consumo exagerado de bebidas alcoólicas”, garante o especialista. O aspecto genético também precisa ser levado em conta, assim como a exposição prolongada a ruídos muito elevados – portanto, as pessoas idosas que moram em grandes cidades tendem a sofrer mais com o problema. Para se ter uma ideia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que o barulho excessivo é a segunda pior causa de poluição ambiental, perdendo somente para a contaminação do ar.  

Atenção aos sinais

De modo geral, a surdez na terceira idade vai se instalando gradativamente. Segundo Fabiano Brandão, ela começa quando o idoso reclama de um zumbido nos ouvidos, mais parecido com um chiado ou o som de um apito. “Esse incômodo costuma aparecer antes mesmo da perda auditiva propriamente dita”, explica. De acordo com o médico, quando a audição está ficando comprometida, a pessoa idosa se comporta da seguinte maneira:

  • demora para atender um chamado   
  • não responde a pergunta que lhe foi feita (ou dá uma resposta desencontrada)
  • aumenta o volume da televisão e do rádio 

Muitas vezes o idoso não percebe que está com dificuldade para ouvir, por isso é importante que os familiares que convivem com ele fiquem atentos aos sinais descritos acima. Quando o déficit auditivo já atrapalha a qualidade de vida, vale a pena procurar um otorrinolaringologista o quanto antes. 

Além de melhorar a audição, o tratamento indicado pelo médico é capaz de prevenir outros problemas de saúde comuns em quem não ouve direito. “Para evitar o desconforto de não conseguir se comunicar adequadamente com amigos e familiares, o idoso tende a se isolar ou a ficar mais quieto”, conta Fabiano Brandão. “Esse comportamento pode levar à depressão, que, por sua vez, acaba deteriorando a saúde neurológica ou muscular da pessoa”, completa. 

Caso o idoso não queira consultar o otorrinolaringologista porque sente medo ou vergonha da sua condição, é fundamental que o familiar explique que a surdez na terceira idade é uma decorrência natural do envelhecimento e que, embora não haja cura para esse desconforto, existem tratamentos que ajudam a amenizá-lo. 

Como tratar a surdez na terceira idade

Antes de mais nada, é preciso fazer um exame chamado audiometria, que mede a capacidade auditiva do paciente e permite avaliar se houve algum prejuízo recente. O tratamento recomendado vai depender do tipo de presbiacusia e da gravidade do caso – geralmente indica-se a utilização de uma prótese auditiva. Hoje existem vários modelos disponíveis para compensar a surdez na terceira idade, desde os menos invasivos (um simples aparelho externo) até os mais complexos, inseridos por meio de um procedimento cirúrgico. De acordo com Fabiano Brandão, o ideal é consultar o otorrinolaringologista a cada seis meses ou pelo menos uma vez ao ano – a periodicidade depende do grau de comprometimento da audição e da prótese que está sendo usada pelo idoso. 

Sobre a autora:

Paula Lima

Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Com mais de 15 anos de experiência na área, já escreveu (e editou) reportagens sobre bem-estar, saúde, gastronomia, decoração, moda, beleza, comportamento e sustentabilidade para as principais revistas do país – Claudia, Elle, Manequim, Boa Forma, Corpo a Corpo, Máxima, Saúde é Vital! e Você S/A, entre outras. É pós-graduada em Redes Digitais, Sustentabilidade e Terceiro Setor pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Atualmente trabalha como jornalista freelancer para revistas e sites.

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