Cuidadores de idosos | Saúde

Quais os perigos do uso incorreto de medicamentos por idosos

por Madu
6 de julho de 2020

Se automedicar e tomar diferentes remédios com a mesma finalidade são práticas comuns e perigosas da população

Foto: CGN089 – Shutterstock

O Brasil apresenta números alarmantes de internações causadas pelo uso incorreto de medicamentos. Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicam que os medicamentos respondem a 27% das intoxicações e a 16% dos casos de morte por intoxicações.

O problema, que ocorre em diversos países, é preocupação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ela alerta que mais de 50% dos medicamentos são prescritos ou dispensados de forma inadequada, e que 50% dos pacientes tomam medicamentos de maneira incorreta, o que eleva o índice de morbidade e mortalidade.

As pessoas de terceira idade estão mais sujeitas ao uso incorreto de medicamentos. Devido a problemas de vista e pela quantidade maior de remédios consumidos, o risco de intoxicação aumenta. Pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina de Marília revelou que cada idoso utiliza em média 2,9 remédios.  

O geriatra Paulo Brambilla* esclareceu algumas dúvidas e apresentou os riscos do uso incorreto de medicamentos.

– É comum idosos tomarem medicamentos de forma equivocada? Quais as implicações do uso incorreto de medicamentos?

O uso de medicações de forma equivocada é bastante frequente entre os idosos. Essa prática pode estar associada a dificuldade de acesso aos serviços de saúde ou até mesmo a falta de profissionais capacitados e dispostos a orientar corretamente essa população com tantas particularidades.

A automedicação é uma prática especialmente perigosa em idosos, pois frequentemente são portadores de doenças crônicas, que se agravam com o uso de diversas medicações. Eles são mais sensíveis a efeitos colaterais que podem causar graves consequências à saúde do idoso, como o uso de uma medicação que cause sonolência e, consequentemente, quedas.

– Quais riscos os idosos correm ao tomar uma quantidade excessiva de remédios?

Os idosos naturalmente têm uma lentificação da metabolização dos medicamentos. Isso significa que os remédios, quando ingeridos, têm efeito mais prolongado no organismo do que na população jovem, e isso torna o idoso ainda mais suscetível à toxicidade das medicações e a seus efeitos colaterais. Com certa frequência, o idoso inicia um novo medicamento para controlar o efeito colateral de uma medicação em uso, tomar uma medicação para dor no estômago que está sendo causada por uma medicação em uso para dor no joelho.  Dessa maneira, se inicia um ciclo que pode ser catastrófico.

– Como o idoso ou familiares devem proceder para tentar diminuir a quantidade de remédios utilizada?

Ao longo da vida a pessoa vai precisar se consultar com diferentes especialistas, mas é fundamental que o idoso tenha um médico que o acompanhe, como o geriatra, que vai monitorar todas as comorbidades do paciente e rever constantemente a real necessidade de cada medicamento em uso, mesmo que prescritos por outro especialista, e suspendê-los quando não forem mais pertinentes. Também é importante lembrar que muitas doenças podem ser controladas com mudanças de hábitos e medidas comportamentais, como melhorar os hábitos alimentares, reduzindo a necessidade de remédio para controle de colesterol, ou evitar os cochilos diurnos, para melhorar a qualidade do sono, reduzindo a necessidade de medicamento para insônia.

– Dicas para o idoso usar medicação contínua de forma saudável:

Sempre que o idoso for para uma consulta médica, independente da especialidade, recomendo que ele leve uma lista com o nome e dosagem de todos os medicamentos em uso. Assim, evita-se que um novo remédio com efeito semelhante a outro já em uso seja prescrito de forma desnecessária.

Outra dica importante é sempre confirmar com o médico como a medicação deve ser tomada e por quanto tempo, evitando o uso contínuo de medicamentos que seriam temporários.

Por fim, não é uma tarefa fácil usar continuamente um número grande de remédios, então é sempre bem-vinda a ajuda de um familiar que possa auxiliar na organização das medicações e evitar o uso incorreto de medicamentos.

*Paulo Brambilla (CRM 139.767) é médico pela Santa Casa de Ribeirão Preto e geriatra membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

Sobre a autora:

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