Cuidado | Saúde

Obesidade em idosos: tudo o que você precisa saber

por Paula Lima
14 de julho de 2020

Veja como prevenir (e tratar) o excesso de peso na terceira idade, que pode favorecer o surgimento de várias doenças

Foto: Nina Buday – Shutterstock

Considerada um dos maiores problemas de saúde do mundo, a obesidade compromete a qualidade de vida de pessoas de todas as faixas etárias – sobretudo a das mais velhas. Isso porque, além de causar dores articulares que dificultam a mobilidade e, consequentemente, a realização das atividades diárias, a obesidade em idosos abre caminho para o aparecimento de várias doenças – câncer, hipertensão, males cardiovasculares, esteatose hepática (gordura no fígado), apneia do sono e diabetes são algumas delas. Como se não bastasse, o acúmulo excessivo de gordura no corpo abala a autoestima e pode provocar distúrbios psicológicos, como transtornos de ansiedade e depressão. 

O critério usado pelos médicos para identificar a obesidade é o Índice de Massa Corporal (IMC) – para descobri-lo, basta dividir o peso da pessoa pela sua altura ao quadrado. Se o resultado for superior a 30 kg/m2, ela integra o grupo que apresenta um sobrepeso muito acentuado. No Brasil, segundo dados levantados em 2018 pelo Ministério da Saúde, 24,6% dos indivíduos de 55 a 64 anos são obesos. Entre os que têm mais de 65, a taxa é de 21,5%. Em todas as faixas etárias, a obesidade afeta um número ligeiramente maior de mulheres. 

Prevenir para não remediar

O processo natural de envelhecimento causa mudanças no organismo, que favorecem o acúmulo de gordura. De acordo com a endocrinologista Roberta Frota Villas-Boas, do Centro do Rim e Diabetes do Hospital 9 de Julho, em São Paulo (SP), com o passar do tempo o nosso gasto energético diário diminui, levando à redução da massa magra (formada por músculos e ossos) e ao aumento do tecido adiposo. Também há uma queda na produção hormonal – isso coincide, nas mulheres, com a chegada da menopausa. “Além dos fatores físicos, a instabilidade emocional, que muitas vezes acarreta alterações de humor e de hábitos alimentares, pode influenciar o ganho de peso nessa fase”, diz a médica. 

Para prevenir a obesidade em idosos, segundo ela, é fundamental investir num estilo de vida saudável. Isso significa ter uma dieta equilibrada – rica em verduras, legumes e carnes magras –, limitar o consumo de gordura e açúcar, evitar bebidas alcoólicas, ficar longe do cigarro e, principalmente, fazer exercícios físicos adequados à idade e ao perfil de cada pessoa.  

Como tratar a obesidade em idosos 

Se a mudança nos hábitos de vida não proporcionar o resultado desejado, o médico pode associar um remédio para emagrecer ao tratamento. No entanto, de acordo com Roberta Frota Villas-Boas, o uso do medicamento é recomendado somente quando os benefícios que ele oferece são maiores do que os riscos. “Pessoas com um sobrepeso muito grande geralmente precisam de medicação”, afirma a endocrinologista. É importante ressaltar que ninguém deve tomar remédios sem a orientação de um especialista. 

Outra opção para tratar a obesidade em idosos é a cirurgia bariátrica – até pouco tempo atrás, esse tipo de procedimento não era realizado em pessoas com mais de 65 anos. Hoje, embora não haja consenso entre os médicos, a operação pode ser feita após uma avaliação rigorosa do paciente. “Cada caso deve ser analisado de forma individual”, comenta Roberta. 

Vale lembrar ainda que os obesos acamados precisam de um acompanhamento médico constante, pois são mais suscetíveis a infecções respiratórias e a doenças cardiovasculares – trombose, por exemplo. Além disso, como se movimentam menos no leito por causa do excesso de peso, há o risco de surgirem escaras (feridas na pele em locais de pressão). 

Sobre a autora:

Paula Lima

Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Com mais de 15 anos de experiência na área, já escreveu (e editou) reportagens sobre bem-estar, saúde, gastronomia, decoração, moda, beleza, comportamento e sustentabilidade para as principais revistas do país – Claudia, Elle, Manequim, Boa Forma, Corpo a Corpo, Máxima, Saúde é Vital! e Você S/A, entre outras. É pós-graduada em Redes Digitais, Sustentabilidade e Terceiro Setor pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Atualmente trabalha como jornalista freelancer para revistas e sites.

Madu

Receba conteúdos especiais da Madu pelo seu email

Somos guardiões das memórias afetivas de tudo que vivemos e queremos compartilhá-las. Vamos juntas e juntos construir relações de afeto entre gerações? Te esperamos pra mais essa jornada! Conheça o nosso manifesto clicando aqui.

Veja nosso Manifesto