Saúde

Entenda as principais mudanças cognitivas do envelhecimento

por Marcia Di Domenico
24 de junho de 2020

E saiba como estimular memória, mobilidade e linguagem nos idosos

Foto: Orawan Pattarawimonchai – Shutterstock

Assim como acontece com outros órgãos do corpo, o cérebro começa a envelhecer quando ainda somos jovens, em torno dos 30 anos. Por volta dos 60 anos, lapsos de memória (como esquecer nomes, palavras que estavam na ponta da língua ou onde colocou objetos), raciocínio mais lento, diminuição na agilidade e dificuldade para processar informações tornam-se mais comuns, e não precisam ser motivo de preocupação se não chegam a atrapalhar o dia a dia da pessoa idosa. São mudanças cognitivas previstas com o envelhecimento, resultado de falhas na comunicação entre os neurônios e da diminuição na capacidade de criar novas conexões.

Por outro lado, se houver alterações no comportamento, nas habilidades sociais e de comunicação ou impedimento para realizar atividades cotidianas (como trocar de roupa ou tomar banho) por causa dessas e outras mudanças cognitivas, é importante estar atento, pois podem favorecer situações de isolamento e depressão. 

Embora envelhecer seja um processo inevitável, o ritmo de envelhecimento depende principalmente do estilo de vida que se leva e de quanto estímulo o cérebro recebe ao longo da vida, sendo que quanto mais estimulado for, mais tempo vai demorar para apresentar perdas cognitivas. 

Como compensar as mudanças cognitivas e manter a autonomia e o bem-estar na terceira idade

Fazer atividade física

Praticar regularmente e variar os estímulos é a melhor estratégia para compensar as mudanças cognitivas do envelhecimento e manter as funcionalidades do corpo, pois assim trabalham-se várias capacidades físicas, como propriocepção, coordenação, equilíbrio, força, agilidade. Caminhada, corrida, dança, treinos funcionais com pesos leves, atividades na água, pilates e ioga são boas opções para incluir na rotina dos idosos.

Movimentar o corpo ainda melhora a irrigação sanguínea e a oxigenação no cérebro, modula os níveis de neurotransmissores ligados ao humor e ao bem-estar, previne doenças cardiovasculares, ajuda a controlar o estresse e estimula a formação de novos neurônios no hipocampo, região cerebral responsável pela memória e o aprendizado.  

Ter relacionamentos saudáveis

A convivência social ativa áreas do cérebro responsáveis pela linguagem e a comunicação, pelas emoções e por competências como tomada de decisão e resolução de problemas. Cultivar uma rede de relacionamentos sólidos e felizes tem efeito protetor da saúde física e mental, enquanto a solidão é potencialmente prejudicial – ela eleva o nível de inflamação e hormônios do estresse, e eleva o risco de doença cardíaca e demência, inclusive Alzheimer. 

Para se ter uma ideia, uma pesquisa realizada ao longo de mais de uma década com adultos acima de 65 anos e publicada no International Journal of Geriatric Psychiatry, revelou que aqueles que relataram viver rotinas solitárias tiveram mais perdas cognitivas ao longo do tempo. 

Alimentar-se bem

Açúcar em excesso e alimentos ultraprocessados têm ação inflamatória no organismo como um todo e prejudicam as funções cognitivas. Uma dieta saudável deve ser variada, mas dar preferência a alimentos frescos e comida caseira. Pensando na saúde do cérebro, inclua folhas verde-escuras (espinafre, rúcula, couve), ovos e peixes fontes de ômega-3 (como atum e sardinha), que previnem danos neurológicos e perdas cognitivas causadas pelo estresse.

Beber água também é fundamental, mesmo sem sentir sede. Os idosos têm menos líquido disponível no organismo, isso é normal. Sem a reposição adequada, o cérebro não demora para sentir os efeitos da desidratação por meio de confusão mental, memória falhando, raciocínio mais lento.  

Aprender sempre

Manter-se mentalmente ativo beneficia a memória, a atenção, o raciocínio, e estimula habilidades de socialização e linguagem, por exemplo. E quanto maior a diversidade de estímulos, mais preparado o cérebro fica para lidar com as mudanças cognitivas do envelhecimento. 

O aprendizado constante deve ser incentivado entre os idosos como fator protetor das funções cognitivas, e tudo conta: ler, aprender um novo idioma, mexer no computador, cozinhar uma receita nova, tocar um instrumento musical, um hobby manual ou mesmo um jeito diferente de realizar tarefas cotidianas. 

Relaxar

Ter momentos de bem-estar na rotina protege a memória e outras funções cognitivas. Em situações de estresse, o cérebro libera cortisol, hormônio que provoca alterações químicas e estruturais em várias regiões cerebrais, levando à destruição de neurônios e dificultando a atividade no hipocampo, área responsável pela memória e uma das primeiras afetadas pela doença de Alzheimer. Além disso, embora não exista uma relação direta entre estresse e demência, o estresse crônico é uma espécie de estímulo para que hábitos ruins se instalem — sedentarismo, alimentação desequilibrada, tabagismo e consumo exagerado de álcool, por exemplo — elevando o risco de doenças cardiovasculares e, consequentemente, de desencadear demências. 

Sobre a autora:

Marcia Di Domenico

É jornalista e escritora. Trabalhou por mais de dez anos como editora de saúde, bem-estar e comportamento em revistas e sites de lifestyle. Hoje colabora com reportagens e produz conteúdo para internet e veículos impressos.

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