Saúde

Conheça a slow medicine e descubra se pode ser um bom caminho para sua vida

por Daniela Santilli
25 de agosto de 2020

Você conhece a slow medicine? Conversamos com o geriatra José Carlos Velho para entender o que é!

Foto: Rocketclips, Inc. – Shutterstock

O movimento slow (lento, devagar, calmo) vem ganhando espaço pelo mundo e pode fazer muito sentido em nossa rotina diária. Seja a slow food, slow life, slow market ou slow medicine. No mundo moderno, corremos contra o tempo sem nem ao menos nos questionarmos o motivo da pressa. Por que não desacelerar e ganhar qualidade de vida, e correr apenas quando necessário? 

Hoje pude conversar com o geriatra Dr. Jose Carlos Velho, para tentar entender o que é a slow medicine. Ela é complexa, pois vai no sentido oposto ao estilo de vida que levamos, no qual as coisas devem ser imediatas, e o tempo só tem valor se for rápido. Slow medicine está diretamente ligada ao tempo, não na demora ou na lerdeza como muitos erroneamente pensam, mas na qualidade do tempo.

Entendi que slow medicine não é medicina aplicada de forma diferente, como podemos pensar, nem que seus adeptos sejam contra a medicina alopática ou qualquer outro tipo de tratamento, até por que a slow medicine é apenas uma forma de pensar medicina. Existem médicos alopatas, homeopatas e profissionais de qualquer especialidade que possam ter simpatia à slow medicine.

 A diferença é que a slow medicine nada mais é do que a medicina do jeito que nós, pacientes, gostaríamos que fosse. Um médico slow deve conhecer e entender seus pacientes de forma ampla. O slow está muito mais relacionado à qualidade da consulta e da relação do médico com seu paciente do que a qualquer outra coisa. Além de conhecer melhor a história de vida dos pacientes, na hora do diagnóstico, o médico, junto com o paciente, irá decidir qual a melhor opção de tratamento

Depois de explicar o diagnóstico e quais as opções de tratamentos existentes, juntos, médico e paciente, de acordo com a gravidade ou não do caso, vão escolher o tratamento mais adequado. Um médico que se identifica com essa vertente da medicina possivelmente se identifique com o movimento slow. Como se dá tudo isso? Não sendo vítima da pressa e da necessidade constante de ter para ser. 

Veja: 

Slow food – Fuja da comida pronta, dos enlatados e dos fast foods. Cozinhar em casa. Dar preferência a produtos originários de pequenos produtores, que não passem por diversos processos de industrialização.

Slow market – Consumo consciente. Comprar o necessário, optar por empresas que tenham consciência ambiental, que não testem em animais e que não usem agrotóxicos em seus produtos.

Slow life – Desacelerar. Não acordar sempre atrasado, pois sua agenda do dia foi programada com calma e com respeito para seu café da manhã, almoço, sua aula de ginástica e seu jantar, podendo garantir maior satisfação no final do dia. Afinal, você pôde existir como profissional, pai ou mãe, marido ou mulher e amigo; e viver, Organizar a vida de forma que você não se sinta sufocado por ela.

No movimento slow, o tempo é valioso e não a pressa, e isso não significa que sejam contra o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, mas sim, da consciência de quando e de como usá-los.

Sobre a autora:

Daniela Santilli

Daniela Santilli, fundadora do Plano Cuida Idoso, onde escreve e compartilha sobre cuidados, direitos e experiências com a terceira idade, formada cuidadora de idosos pela Cruz Vermelha, estudante de Gerontologia. Atua no mercado atendendo a pessoa idosa e seus familiares em casa, onde trabalha segurança, organização, afeto e reinserção social da pessoa idosa.

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