Saúde

Como descobrir a dor crônica em idosos?

por Madu
6 de julho de 2020

Identificar as causas de dores crônicas aumenta significativamente a qualidade de vida de idosos

Foto: Monkey Business Images – Shutterstock

Segundo o Programa de Educação Continuada, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), a dor crônica em idosos afeta entre 25-50% das pessoas. Essa média salta para 40-83% aos que estão institucionalizados.

O programa transcreve a seguinte definição de dor, feita pela International Association for the Study of Pain (IASP):

“Dor é uma sensação ou experiência emocional desagradável, associada com dano tecidual real ou potencial.”

Outra informação importante do programa apresentada pela médica Fania Cristina Santos, especialista em Geriatria e Gerontologia, diz que “idosos têm menor sensibilidade a estímulos dolorosos, assim, é provável que quando eles se queixam de dor, a intensidade da mesma seja efetivamente muito alta”.

Para identificar e esclarecer possíveis causas e consequências da dor crônica em idosos, o geriatra Paulo Brambilla* respondeu às seguintes questões:

Como um familiar, cuidador ou o próprio idoso pode identificar que está com dores crônicas?

A sensação desagradável que nomeamos de dor é considerada crônica quando permanece por mais de 12 semanas. Então qualquer dor que perdure mais do que esse tempo é considerada crônica.

Quais as causas mais comuns da dor crônica em idosos?

Com o passar dos anos, os ossos e as cartilagens das articulações vão naturalmente enfraquecendo, e causam dores articulares, conhecidas como “dores nas juntas”, e essas são responsáveis pelas dores crônicas mais frequentes nos idosos.

Que tipo de especialista deve ser procurado nesses casos?

Diferentes especialidades médicas realizam tratamento de dores articulares, como a ortopedia, a reumatologia, a fisiatria e a geriatria, assim como diversas outras áreas da saúde, como fisioterapia, acupuntura, osteopatia e quiropraxia.  

Na pessoa idosa, esse tratamento tem muitas particularidades, como a restrição de algumas medicações que não devem ser usadas nessa faixa etária. Eu sempre recomendo que o idoso converse com seu médico de confiança a respeito do que está sentindo, e ele define se o caso pode ser tratado em seu consultório ou se demanda outro profissional.

Há consequências emocionais geradas por dores crônicas?

Sim. Os idosos que vivem longos períodos com dor sofrem consequências dramáticas em sua qualidade de vida, como o comprometimento da funcionalidade, independência e a impossibilidade de realizar atividades que antes traziam bem-estar e prazer. Nesse contexto, é bastante frequente o surgimento de sintomas depressivos, como perda de interesse, comprometimento do apetite e prejuízo do sono.

Como eliminar o problema da dor crônica em idosos?

Nenhum tipo de dor deve ser definido como “normal” do envelhecimento. Mesmo quando não se pode curar a causa da dor, resolvendo-a em definitivo, muito pode ser feito para amenizá-la e tornar esse processo mais ameno. Tratar a dor crônica em idosos deve ser sempre considerada uma urgência para o médico, pois essa queixa compromete diretamente a qualidade de vida da pessoa.

*Paulo Brambilla (CRM 139.767) é médico pela Santa Casa de Ribeirão Preto e geriatra membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

Sobre a autora:

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