Economia | Financeiro

A Economia Prateada: conhecendo os idosos consumidores no Brasil

por Denise Mazzaferro
19 de março de 2020

Qual o potencial de consumo da população idosa, no Brasil?

Foto: LightField Studios – Shutterstock

Economia prateada é a soma de todas as atividades econômicas associadas às necessidades das pessoas com mais de 50 anos, bem como os produtos e serviços que elas consomem diretamente ou virão a consumir no futuro.

Em 2050, o Brasil terá mais de 260 milhões de habitantes com idade média de 40 anos e expectativa de vida de 81,3 anos. Cerca de 14 milhões dessas pessoas irão ultrapassar a barreira dos 80 anos – pouco mais de 5% do total, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010). Por terem maior expectativa de vida, provavelmente as mulheres serão maioria.

Hoje, os idosos brasileiros têm potencial de consumo de R$ 7,5 bilhões, o dobro da média nacional. Nesse sentido, a empresa Hype 60+, realizou a pesquisa Tsunami 60+, entrevistando 2.242 pessoas acima de 55 anos, de todos os estados brasileiros e de todas as classes sociais. A pesquisa aponta que, para acertar no desenvolvimento de um produto, só há um caminho possível: conversar com essas pessoas. E, de novo, ter sensibilidade para fazer isso corretamente, respeitando as particularidades do público maduro.

Com isso, a pesquisa traz algumas dicas de como se comunicar com essa população:

1)      O público 60+ é muito diverso, não dá para encará-los como um grupo homogêneo: faça segmentações de perfis e entenda bem o comportamento do público-alvo, suas preferências, limitações, sonhos e principalmente suas dores.

2)      Dê atenção especial ao design: use letras grandes, cores fortes e com contraste para facilitar a leitura. Se você tem um e-commerce, encurte o número de cliques e o fluxo de venda. Nos vídeos, a locução deve estar limpa, sem muita interferência de músicas altas que atrapalhem a clareza do que está sendo falado.

3)      Fale menos e ouça mais: escute o seu cliente maduro, pergunte do que ele gosta, do que sente falta, aprenda a sua linguagem, passe tempo com ele, pois para compreender é preciso conviver.

4)      Use imagens de pessoas reais e que não caiam em estereótipos, como a representação de pessoas mais velhas fragilizadas ou excêntricas. Dê protagonismo a eles, não use imagens de pessoas jovens, ajudando um idoso a usar o celular, por exemplo.

5)      Eles estão na internet, principalmente no Facebook e no Whatsapp. O público maduro é digital, sim! Quem ainda não se atentou para isso, muito provavelmente está perdendo vendas.

6)      Faça pré-teste para lançamento de produtos, serviços e campanhas; quanto mais nos envolvemos com o público maduro, mais nos surpreendemos e aprendemos.

7)      Use uma linguagem simples e direta, deixando claro qual é o diferencial e os benefícios do seu produto e/ou serviço. Os 60+ já viram e ouviram de tudo e, por isso, são mais questionadores e desconfiam de soluções mágicas.

8)      Deixe os preconceitos de lado. O envelhecimento já não é mais o mesmo, e os novos velhos são muito mais ativos, curiosos e diversos do que os de antigamente.

Precisamos abandonar os estereótipos em relação a esse público porque, segundo a Goldman Sachs, quando comparado com os mais jovens, o consumo dos maduros cresceu 3x mais rápido na última década.

Sobre a autora:

Denise Mazzaferro

Denise Mazzaferro é mestre em gerontologia, sócia da Angatu IDH, membra do Conselho do OLHE (Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento) e autora do livro “Longevidade – Os desafios e as oportunidades de se reinventar”.

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