Cuidado | Financeiro

A importância da educação financeira para envelhecer bem

por Denise Mazzaferro
25 de março de 2020

57% das pessoas com idade com mais de 60 anos não possuem reserva financeira e mais que 54% delas estão endividadas! Entenda o motivo e a importância da educação financeira para o envelhecimento saudável

Foto: Pixel-Shot – Shutterstock

Dados divulgados pelo Serviço de Proteção ao Crédito, apontam que 57% das pessoas com idade superior a 60 anos não possuem reserva financeira, e mais de 54% delas estão endividadas. A explicação mais comum para esse endividamento é a preocupação com a família.

Vivemos um fenômeno inédito na história da humanidade, que é o aumento da expectativa de vida da população mundial. Nesse cenário, os parâmetros e referências econômicas, sociais e midiáticas deverão ser revistos.

Para que isso aconteça, precisamos passar por uma questão extremamente importante, que é a educação. Não estamos falando somente da educação formal, aquela que aprendemos nas instituições de ensino, mas também da educação dada na escola da Vida.

Em sua obra “os sete saberes necessários à educação do futuro”, Edgar Morin explica: “é necessário aprender a estar aqui no planeta. Aprender a estar aqui significa: aprender a viver, a dividir, a comunicar, a comungar; é o que se aprende somente nas – e por meio de – culturas singulares. Precisamos doravante aprender a ser, viver, dividir e comunicar como humanos no planeta Terra, não mais somente pertencer a uma cultura...”

É a essa educação que me refiro quando digo que é crucial aprendermos a ser, viver, dividir, comunicar nesta nova sociedade mais longeva. Mas porque me inspiro em dados recém publicados pelo SPC referentes à inadimplência da população idosa para falar em educação, em Cultura da Longevidade?

Na mesma matéria, referem-se à falta de educação financeira como um dos fatores que explicam os dados. Precisamos pensar em nosso projeto de vida para viver mais e melhor e o dinheiro tem que fazer parte deste planejamento. Educação para viver mais, com mais qualidade de vida, e com recursos financeiros que atendam às nossas expectativas passa por nos apropriarmos de nossa história e construirmos um projeto para vivê-la.

Eduardo Gianetti, em seu livro o Valor do Amanhã, diz “Se há toda uma preocupação, legítima, em equipar os jovens para ingressar no mundo do trabalho e vencer no mercado profissional, por que não prepará-los para a arte de bem envelhecer?” É disso que estou falando. Hoje, infelizmente vemos as pessoas com mais de 60 anos passarem por depressões, por sérios problemas de saúde, por falta de recursos financeiros, pois realmente não se prepararam para viver mais. Quando essas pessoas tinham 30, 40 anos a expectativa de vida era muito menor, e realmente chegar aos 60 podia significar aproximar-se do fim da vida.

Esse panorama já mudou, e não é isso que iremos viver. Precisamos realmente nos educar e ajudar a construir a cultura da longevidade para que consigamos olhar para o envelhecimento vislumbrando seus desafios, mas também todas as oportunidades que ele nos apresenta.

Sobre a autora:

Denise Mazzaferro

Denise Mazzaferro é mestre em gerontologia, sócia da Angatu IDH, membra do Conselho do OLHE (Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento) e autora do livro “Longevidade – Os desafios e as oportunidades de se reinventar”.

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