Diversão

O que é Dança Circular e quais os benefícios?

por Madu
25 de agosto de 2020

A Dança Circular é uma atividade que auxilia o bem-estar físico e emocional do praticante

Foto: fizkes – Shutterstock

A prática de atividades físicas é recomendada por profissionais da área de saúde para auxiliar pessoas de terceira idade a manterem a saúde física, aumentar a mobilidade e fortalecer os vínculos sociais, o que evita problemas como isolamento social e depressão. A Dança Circular, além de contribuir em todos esses aspectos, ainda favorece o autoconhecimento, a cultura e o respeito ao próximo.

Gabriela Bessa Barreto*, focalizadora de Dança Circular, responde algumas perguntas sobre a origem e os benefícios.

Qual a origem da Dança Circular?

A Dança Circular ou Dança dos Povos vem da nossa origem ancestral e existe desde que o mundo é mundo. Encontramos inscrições e desenhos nas cavernas remetendo a essa prática. É, portanto, uma prática ancestral da humanidade, e por isso nos sentimos muito bem em uma roda, exatamente pela sensação de pertencimento que ela desperta em nós. Basicamente, são as danças dos povos do mundo todo vindo das comunidades, das diversas culturas nas quais todas as pessoas, desde a criança até o ancião, se reuniam para dançar. Atualmente, dançamos músicas tradicionais e músicas contemporâneas que tenham a ver com a cultura de um povo.

Quais os benefícios físicos da Dança?

Dançar em roda com a Dança Circular nos proporciona consciência corporal, coordenação motora, desenvolvimento da lateralidade, equilíbrio, disposição física e energia para as atividades diárias.

Quais os benefícios sociais e culturais da Dança?

Em relação aos benefícios sociais e culturais trazidos pela Dança Circular, podemos destacar o aumento da sociabilidade, contribuindo para diminuir o risco de isolamento que favorece a depressão, por exemplo. Além disso, a interação social desenvolve sentimentos positivos quanto à igualdade e aceitação da diversidade, já que na roda não tem ninguém na frente ou atrás. Não existe essa hierarquia. De fato, somos todos iguais. A própria forma circular favorece esse entendimento na medida em que dançamos na mesma distância do centro da roda. Conforme vamos dançando, aprendemos vivencialmente a cooperar, a respeitar o lugar do outro e a honrar o nosso próprio lugar, porque cada um faz a diferença nesse contexto. Por fim, há um restabelecimento do equilíbrio entre indivíduo e coletivo que é extremamente útil para a comunidade como um todo.

Vale ainda salientar que, além dos benefícios físicos, sociais e culturais, a Dança Circular oferece também benefícios no aspecto emocional do indivíduo, como o autoconhecimento, a expansão da consciência de si próprio, a segurança interna que toda pessoa precisa para ter o seu bem estar, a expressividade de sentimentos, a auto estima, enfim, benefícios que despertam o cuidar de si próprio e ampliam a autonomia.

Existe algum cuidado para praticá-la?

A princípio, não existe nenhuma contraindicação para praticar a Dança Circular. Pessoas de todas as idades podem fazê-lo, sendo que adaptações podem ser bem-vindas, de acordo com o tipo de trabalho e público. Inclusive, é indicada quando a pessoa está realizando algum tratamento médico, porque já se sabe que a Dança Circular auxilia o melhor desempenho no curso de um tratamento em vários casos. As adaptações mencionadas acima referem-se a pequenas concessões quanto a algum movimento que possa ser demasiado para uma pessoa ou grupo no momento da prática. Então o focalizador – quem conduz a roda – pode solicitar que as pessoas não façam certo movimento, como dar um giro, e simplesmente caminhem no lugar deste, caso alguém esteja impossibilitado de fazê-lo, como no caso de quem tem labirintite. De qualquer forma, sempre é solicitado que cada um exerça os movimentos dentro do seu possível. Até porque seria um contra senso, dentro do modo de pensar inclusivo da Dança Circular, não atender a todos.

Como a pessoa idosa deve escolher o lugar ou profissional para praticar a dança?

Em se tratando do público da terceira e quarta idade, a pessoa deve buscar um trabalho de alguém ou instituição em que a proposta seja inclusiva, que tenha o olhar para a diversidade e possa acolher a demanda dessa população. Geralmente, as pessoas e locais que se dispõem a trabalhar com o público idoso oferecem horários específicos ou até uma proposta integrada com outras atividades direcionadas, como estimulação cognitiva, recursos expressivos de arte, entre outros. Isso não exclui de nenhuma forma trabalhos que misturam faixas etárias e que podem ser igualmente válidos. O mais importante é saber que o responsável está preparado para acolher o ritmo e as demandas específicas de um público que não tem o desempenho da performance física dos movimentos como prioridade e objetivo. A saúde no sentido integral, ou seja, física, mental, emocional e social deve ser o foco desse trabalho.

Veja vídeos de Dança Circular no canal do Youtube da Gabriela clicando aqui.

*Gabriela Bessa Barreto é psicóloga, focalizadora de Dança Circular, coordenadora do Treinamento para Focalizadores em Danças Circulares – RJ, Coordenadora de Vivências de Autoconhecimento, Projeto Cuidando de Quem Cuida, Roda da Longevidade, atuando no setor público e privado.

Sobre a autora:

Madu

MADU é uma iniciativa do projeto Rede Bem Estar, realizado pelo Conselho Estadual do Idoso, em parceria com o Grupo Tellus, a Brasilprev e a Liga Solidária. Foi criada para potencializar a relação entre pessoas mais velhas, seus familiares e amigos além de compartilhar conteúdos sobre envelhecimento e velhice.

Madu

Receba conteúdos especiais da Madu pelo seu email

Somos guardiões das memórias afetivas de tudo que vivemos e queremos compartilhá-las. Vamos juntas e juntos construir relações de afeto entre gerações? Te esperamos pra mais essa jornada! Conheça o nosso manifesto clicando aqui.

Veja nosso Manifesto