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Idosos na internet: devo divulgar meus talentos?

por Madu
28 de agosto de 2020

Atriz, avó e um sucesso nas redes sociais, Lilian Blanc fala sobre sua carreira e como os idosos podem usar a internet

Foto: Monkey Business Images – Shutterstock

O aumento da inclusão digital entre públicos de todas faixas etárias proporciona um leque infinito de possibilidades para adquirir conhecimento, entreter-se, fazer consultas ou interagir com pessoas distantes, até mesmo sem conhecer outras línguas. Nessa infinidade de possibilidades, como ficam os idosos na internet? 

Nesse cenário, ferramentas como o Youtube e as redes sociais tornaram-se essenciais, inclusive para realização de compras. Como eles podem aproveitar todo esse avanço tecnológico?

Um exemplo de que nunca é tarde para explorar novas possibilidades e de que é possível idosos na internet serem protagonistas nesse ambiente, é o da Lilian Blanc. Essa atriz de 70 anos, que começou a carreira aos 40, possui um currículo com passagens pela TV, teatro e cinema, transformou-se numa referência nas redes sociais. Com disposição e bom humor, ela acumulou mais de 1 milhão de seguidores em seus canais, que tratam a velhice de forma alegre, divertida e espontânea.

Lilian Blanc concedeu uma entrevista ao portal Rede Bem Estar, para a qual falou sobre sua carreira e sobre como idosos na internet podem aproveitar todos seus benefícios da tecnologia.

1 – Como começou sua carreira e qual era sua relação com os computadores?

Eu, alguns anos atrás, nem chegava perto do computador. Achava que era um móvel que só servia para tomar pó. Até que um dia eu precisei atualizar meu currículo e perguntei à família onde estava a máquina de escrever. Eles caíram na risada e me mostraram a facilidade que era digitar e corrigir meu currículo no computador. Não só comecei minha carreira no teatro aos 40 anos, como também nem mexia no computador. Aprendi e hoje domino o assunto.  Há alguns anos, gravei uma série de programas para a TV Brasil chamado “É A Vovozinha”, com a direção de Renata Druck e roteiro de Keka Reise, que ainda deve estar disponível na internet, que já tratava com muita habilidade do assunto terceira idade e da maneira errônea como a sociedade impõe roupas, produtos que nem sempre batem com a imagem atual das vovós.

Ele falava de uma nova geração de mulheres maduras, saudáveis, com maior poder aquisitivo e uma grande expectativa de vida. Pessoas que querem namorar, trabalhar e curtir a vida, assumindo a idade e usufruindo de toda a experiência e sabedoria que os anos lhes deram.

2 – Como foi sua trajetória e quais foram os diferenciais para alcançar seu público nas redes sociais? 

Bem, acho que tudo aconteceu meio por acaso. Eu estou na novela “As Aventuras de Poliana”, e eu nem tinha conta no Instagram. De repente, quando meu filho, que usa mais a plataforma, viu que em um mês eu já tinha muitos seguidores e que começou escalar. Até hoje, graças a Deus, não parou de crescer. Na verdade, eu nunca encarei a rede social como se fosse meu trabalho. Virou uma consequência, a possibilidade de falar com mais gente e apesar de ter, durante duas semanas, um profissional cuidando disso. Nunca houve realmente alguém que cuidasse das redes com mais atenção. Depois que surgiu o Instagram, onde a potência aumentou, a brincadeira no Tik Tok foi uma consequência. Foi muito mais rápido. Hoje tenho um milhão de seguidores, mas que também não passa de uma grande brincadeira. O Youtube é minha nova plataforma que estou tentando usar, e essa sim é uma plataforma na qual consigo interagir, ter programas de cinco, dez, quinze minutos e onde consigo passar conteúdo de verdade.

3 – Com o crescimento da inclusão digital na população idosa, uma infinidade de informações está ao alcance de muitos que, em alguns casos, quase não tiveram acesso à educação ao longo da vida. Como esses idosos podem otimizar a utilização dessa nova tecnologia para melhorar a qualidade de vida?

Um bom exemplo é o preparador físico Aurélio Alfieri, que conheci também pela internet, que tem 500 mil pessoas que o seguem, na maioria idosos, e que consegue falar para uma audiência muito maior. Ele fala de preparo físico, mostra exercícios fáceis e eficientes que os idosos podem fazer até sentados em uma cadeira. Mesmo as pessoas tendo essa noção, muitos se acomodam e não fazem exercícios que são indispensáveis à saúde. Outro exemplo é um senhor, de 92 anos, que está fazendo pós-graduação pela internet.

Talvez, por eu estar no ar, na TV, por estar em evidência, posso mostrar que é possível. É difícil para alguém já com idade, mas nada impossível para abrir essa janela com um mundo de possibilidades. Ao mesmo tempo em que há as coisas boas, há que se ter cuidado, pois a inocência no assunto também pode levar os idosos a fraudes, golpes com cartões, sites virulentos, gente querendo levar vantagem, principalmente se aproveitar de sua inocência.

4 – Os canais e mídias sociais têm um conceito de interação com os usuários. Essa “horizontalidade” atrai o público de terceira idade, ou o conteúdo é o maior atrativo? 

Acho que vale muito mais o conteúdo do que a horizontalidade das redes sociais. Muito mais um ponto de distração e de ocupar a cabeça. A ocupação do tempo ocioso. Antigamente a gente tinha que sair, comprar um livro, escrever uma carta, assinar um jornal.

Hoje todos temos essas facilidades e informações na palma das mãos em qualquer lugar. E, lógico, um idoso tem acesso a tudo isso também. Acho que vale mesmo o conteúdo. 

5 – A redes sociais atualmente são canais de venda direta ou indireta de serviços e produtos. Qual sua sugestão para a pessoa idosa que queira mergulhar nesse universo e quais cuidados a serem tomados?

Volto a dizer que tudo pode ter o lado positivo e negativo. Por ver muito a publicidade de algum produto, a pessoa pode achar que é bom e confiável, e ela clica em algum deles para comprar. Talvez o idoso não tenha a perspicácia de saber qual a tecnologia que há por trás disso. Os produtos são oferecidos por ele ter clicado em algum site, as vezes ele recebe mensagens de produtos no celular para comprar algo de um site no qual havia navegado no computador um tempo antes. Acha interessante, pois está sendo cercado a todo momento. Esse seria o lado negativo de fazer compras na internet, por exemplo. Os sites se aproveitam em oferecer os produtos a quem demonstrou interesse em pesquisá-los.

Links das redes sociais de Lilian Blanc

Instagram: @lilian.blanc

Tik Tok: @lilian.blanc

Youtube: A VOZ DA VÓ

Sobre a autora:

Madu

MADU é uma iniciativa do projeto Rede Bem Estar, realizado pelo Conselho Estadual do Idoso, em parceria com o Grupo Tellus, a Brasilprev e a Liga Solidária. Foi criada para potencializar a relação entre pessoas mais velhas, seus familiares e amigos além de compartilhar conteúdos sobre envelhecimento e velhice.

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