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A potência do empreendedorismo sênior

por Sérgio Serapião
15 de abril de 2020

Pessoas acima de 50 anos podem ter grande vantagem ao empreenderem pois acumulam anos de experiência, rede de contados e poupança acumulada!

Tipicamente associado a jovens, o empreendedorismo vem crescendo entre as pessoas mais velhas. Seja por falta de opções de emprego para os mais velhos, seja por uma opção dos aposentados em se realizarem.

A verdade é que pesquisas relacionadas ao grande potencial de pessoas mais velhas empreenderem vêm se acumulando. A universidade americana MIT publicou uma pesquisa que associa maior grau de sucesso aos empreendedores acima de 40 anos. Da mesma forma, uma avaliação das patentes demonstra que o acúmulo de anos e experiência fazem dos achados dos pesquisadores acima 47 anos mais valiosos e inovadores. 

Empreender, porém, requer exposição ao risco

Começar um novo projeto significa correr riscos, que exigem preparo emocional e financeiro. No lado emocional, empreender significa estar preparado para o risco do fracasso. Mais de 20% dos negócios fecham no primeiro ano, e aproximadamente 50% fecham antes do segundo ano, segundo o SEBRAE. 

Além do lado emocional, o financeiro também merece preparo. Afinal, quanto de minhas reservas financeiras quero colocar em risco? Ou até quanto posso me endividar? São perguntas fundamentais para que um sonho não se transforme em pesadelo. A resposta para cada uma dessas perguntas é muito particular, portanto cada um deve se cercar de colegas e técnicos bem capacitados, que ajudem na conscientização desses riscos. Comunidades de interesse em empreendedorismo sênior, como a Labora, e núcleos de suporte, como a Nextt49, têm se formado e facilitam esse momento de preparação para uma eventual nova fase empreendedora sênior.

Faz sentido empreender depois de velho?

Pessoas acima de 50 anos levam grande vantagem quando se conscientizam de suas potências e as articulam com seus sonhos e limitações. Daí, nasce um empreendedor sênior. Exemplos de pessoas acima de 50 empreendendo no Brasil vem cada vez mais surgindo em ecossistemas como o LAB60+. Veronique e Marta, por exemplo, após participarem do Programa Reinvente-se, da Uni-Inversidade, fundaram uma startup de moradia compartilhada, a Morar, a partir do momento em que perceberam a possibilidade de desenvolverem um segundo ciclo de vida profissional, a partir dos 60 anos.

Pessoas acima de 50 anos levam grande vantagem ao empreender por tipicamente apresentarem maior inteligência emocional, anos de experiência profissional, rede formada de contatos profissionais e pessoais, além de, eventualmente, terem uma poupança acumulada. Todos esses aspectos colocam o sênior numa posição de vantagem perante os mais jovens. 

Quando jovens, porém, costumamos ter “mais energia”, trabalhamos 24 horas e nem percebemos. E a ignorância e imaturidade profissional, por vezes, permitem que nos joguemos em ideias “impossíveis”, e que podem, depois, se apresentar como uma inovação. 

Mais do que uma competição entre gerações, o importante é termos consciência dos limites e potenciais da fase de vida em que estamos, e da preparação de que precisamos. É certo que, muito recentemente, o empreendedorismo sênior passou a ser uma real opção para pessoas acima de 50 anos se dedicarem e se realizarem.

Sobre o autor:

Sérgio Serapião

Empreendedor social, fellow Ashoka, atua há +14 anos com longevidade, cofundador e diretor da Labora, 1a startup de RH (HRtec) voltada para integrar talentos seniores a profissões do futuro, solucionando desafios de empresas e sociedade. Fundador do Movimento LAB60+, laboratório social colaborativo que busca soluções práticas para a co-construção de um mundo mais longevo. Membro do conselho do Sistema B Brasil.

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