Aprendizado

Sexo na terceira idade, o que é, o que muda?

por Paulo Ishimaru
3 de julho de 2020

Sexualidade no envelhecimento é tema pouco abordado pela sociedade

Foto: Monkey Business Images – Shutterstock

O tabu do sexo na terceira idade cria um ambiente no qual pessoas dessa população parecem não ter desejos ou vidas sexuais ativas. Em contrapartida, com o envelhecimento da população mundial, esse tema emerge no paralelo. Campanhas e anúncios publicitários dirigidos exclusivamente para esse público, com ofertas de tratamentos e terapias sexuais, dimensionam a atenção crescente dada ao assunto.

Sexo na terceira idade das mulheres

Um artigo publicado pela psicóloga Heloisa Junqueira Fleury e pela psiquiatra Carmita Helena Najjar Abdo (2015) esclarece que apesar das mudanças hormonais não impactarem negativamente a vida sexual de muitas mulheres, a qualidade do relacionamento amoroso e o contexto social que avalia aparências são mais determinantes para a diminuição da prática. “A população feminina não associa satisfação ou falta de interesse sexual aos aspectos biológicos, mas à qualidade do relacionamento amoroso”.  Elas apontam no artigo que as atividades mais frequentes femininas são: tocar e acariciar sem coito, masturbação e, por último, a própria relação.

Sexo na terceira idade dos homens

Se a mulher valoriza aspectos emocionais, os homens se atentam a questões físicas. No artigo, as autoras esclarecem que “homens com idade avançada apresentam como principal queixa sexual dificuldades com o orgasmo e com a ereção, relacionadas às alterações biológicas”. Contudo, o avanço da medicina na área de disfunção erétil ajuda a população masculina a ter vida sexual mais ativa.

Fatores que interferem na vida sexual

As questões biológicas são apenas uma das variáveis que estão relacionadas à queda da atividade sexual entre idosos. Viuvez, divórcios, limitações financeiras e a diminuição da vida social também impactam negativamente na manutenção de uma sexualidade ativa.

As autoras listam quatro fatores determinantes para o sexo na terceira idade:

– o contexto biológico

– o psicológico

– o social (incluindo cultura)

– as interações entre eles

“É crescente o reconhecimento do papel desempenhado pelo contexto social, especialmente a possibilidade de um parceiro sexual e a qualidade do relacionamento com ele”, afirmam as profissionais.  

Atividades sexuais

Na pesquisa apontada no artigo, “a principal atividade sexual da maioria da população (91% dos homens e 87% das mulheres) envolve penetração vaginal e, com o avançar da idade, essa frequência diminui. Entre 75 e 85 anos, a penetração está incluída nas práticas sexuais de 84% dos homens e 75% das mulheres”.

Com o avanço da idade, a penetração torna-se opcional, e as preliminares tornam-se condições necessárias para a prática sexual. Os abraços, beijos e outros toques sexuais têm frequência mantida em todas as faixas etárias.

Quebrar tabus quanto à manutenção do sexo na terceira idade contribui para aumentar a qualidade de vida de forma prolongada e prazerosa de casais com relações héteros ou homoafetivas. 

Sobre o autor:

Paulo Ishimaru

Profissional de comunicação com formação em Jornalismo e pós-graduação em Gestão Estratégica de Negócios. Cursou Ciências Sociais e acredita que a comunicação, aliada à tecnologia, é uma das grandes ferramentas de transformação social e empresarial. Professor universitário nos cursos de Jornalismo, Marketing e Design.

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