Aprendizado | Cuidadores de idosos

Quando o lar do idoso passa a ser uma opção?

por Daniela Santilli
2 de junho de 2020

São vários os sinais para se institucionalizar uma pessoa idosa. Fica atenta aos sinais!

Foto: Diego Cervo – Shutterstock

Primeiro, é preciso entender que espaços como um lar para idoso, asilo, casa de repouso ou ILPI – Instituição de Longa Permanência, não são mais lugares onde os idosos ficavam abandonados à espera do último suspiro, como antigamente. Muitos idosos têm pavor de pensar nessa possibilidade, pois é a imagem de lar do idoso presente em suas memórias.

Hoje, as ILPIS trabalham com uma variedade de atividades, que muitas vezes o idoso não tem dentro de casa. Além do básico necessário (alimentação, higiene e medicamentos), também oferecem aulas de ginástica, de artes, visitas religiosas, dança, e os familiares podem visitar a qualquer momento.

Embora grande parte da área da Gerontologia concorde que o melhor para o idoso é ser cuidado em casa, às vezes essa possibilidade se torna impossível, e a institucionalização se torna necessária.

Veja alguns casos em que é preciso encaminhar a pessoa para um lar do idoso:

– A pessoa idosa querer ir – Essa é uma vontade muito comum nos países europeus, pois, além de não darem trabalho aos familiares, sabem que farão novos amigos, não precisarão se preocupar com alimentação e terão atividades específicas para manter sua independência pelo maior tempo possível.

– Família não ter condição de cuidar em casa – Muitas vezes se faz necessária uma adaptação na casa, e essa possibilidade não é viável. Por exemplo: não ter espaço para locomoção com cadeira de rodas.

– Estado de demência grave – idosos que precisam de atendimento clínico 24 horas por dia.

– Família não saber cuidar, não ter paciência, não querer – é importante conhecer seus limites. Muitas vezes, esses são motivos que causam agressões e maus tratos. A pessoa que cuida não tem preparo ou condições emocionais para cuidar. Nesse caso, o idoso estará muito mais bem cuidado e seguro numa ILPI.

Fatores a serem levados em consideração e trabalhados com a família e o idoso:

Idosos não costumam gostar de mudanças, muito menos de casa. Tanto para a pessoa idosa quanto para seus familiares, há preconceito em relação ao lar do idoso ou às ILPIS.

Os familiares costumam ter um sentimento de culpa só em pensar nessa possibilidade.  Saibam que em 99% dos casos, não haverá consenso entre todos. O que pode ocorrer é que um profissional da área de gerontologia sugira essa mudança. Ainda assim, será uma decisão difícil.

A sugestão é que tanto os familiares quanto o idoso visitem algumas ILPIS.  Talvez, num primeiro momento, os familiares façam a primeira triagem para depois levar a pessoa idosa para conhecer.

É importante pensar que, caso o cuidador seja alguém da família, sem nenhum preparo, ele pode e tem o direito de não querer parar sua vida. Também, pessoas que não tem por opção cuidar de alguém, terão um desgaste físico e emocional enorme, podendo sentir-se sobrecarregadas e desenvolver casos de depressão e conflito com seus familiares, amigos e colegas de trabalho.

Caso a família não possa ter uma equipe de home care, o lar do idoso se torna a melhor opção.

#ficadica Ao levar a pessoa idosa para morar numa Instituição de Longa Permanência, certifique-se que você poderá levá-la para passeios, para passar o final de semana com a família, que você poderá visitá-la sempre que desejar. Nunca deixe de fazer visitas, telefonar, fazer chamadas de vídeo durante a semana, levar lembranças, cartas, docinhos para o idoso. Decore o quarto dele com fotos, suas roupas de cama, almofadas de que ele goste, porta-retratos, etc.

#ficadica Certifique-se que a ILPI escolhida tenha pessoas na mesma condição que a pessoa idosa da sua família. Levar uma pessoa para um lar do idoso, onde a grande maioria esteja num estágio mais agravado de limitações ou demência, pode piorar a saúde da pessoa idosa.

Sobre a autora:

Daniela Santilli

Daniela Santilli, fundadora do Plano Cuida Idoso, onde escreve e compartilha sobre cuidados, direitos e experiências com a terceira idade, formada cuidadora de idosos pela Cruz Vermelha, estudante de Gerontologia. Atua no mercado atendendo a pessoa idosa e seus familiares em casa, onde trabalha segurança, organização, afeto e reinserção social da pessoa idosa.

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