Aprendizado

O que vou ser quando amadurecer?

por Sérgio Serapião
23 de abril de 2020

Como encontrar um propósito na idade madura?

Foto: Deny Abdurahman – Unsplash

Quantas vezes entramos numa rotina por anos e, apenas quando algo muda – como, por exemplo, quando nos aposentamos ou nossos filhos saem de casa – é que percebemos que passamos anos nos dedicando a cuidar da família ou a um bom emprego? Percebemos que estávamos num piloto automático, sem consciência de que estávamos nos dedicando mais para os outros ou para nós mesmos?

O filme documentário “Envelhescência”, de Gabriel Martinez, (dê um google e você o encontra na internet ) retrata 5 personagens reais. Uma delas era Dona Edith, que com o falecimento de seu marido, conseguiu se redescobrir e se “libertar” de suas próprias amarras. Com isso, ela passou a fazer coisas que havia deixado de fazer. Foi tão libertador, que ela passou a ousar e a se tatuar, e poucos anos depois ela estava “irreconhecível”.

Lidar com esses momentos de transição podem ser duros, mas também abrir novas oportunidades.

O médico Alexandre Kalache, geriatra brasileiro referência em envelhecimento, chama esse período da vida de redescoberta de “gerontolescência”. Seria uma nova adolescência numa fase madura, um período de exploração e descoberta. Como todo período de transição e descoberta, ele traz inseguranças e também novas possibilidades.

Num primeiro momento, é comum que busquemos consumir novas informações e situações sócioculturais, como palestras, eventos e viagens. Agora, para revisitar nossa identidade e fazer uma transição para uma nova fase de vida realizadora, é importante que tenhamos atenção a aspectos internos pessoais.

O que realmente me motiva? Qual meu propósito?

Propósito não é só coisa de jovens?

Muito se fala sobre propósito e como a geração atual de jovens, chamados de Millennials, conecta-se ao trabalho a partir do propósito. Afinal, o que é propósito? Idosos têm propósito?

Se procurarmos no dicionário, propósito significa “intenção de fazer algo”. Em miúdos, seria uma tensão interna que emerge tão forte a ponto de virar uma necessidade pessoal de realização. Ou seja, estamos falando menos sobre uma ideia, e mais sobre nossos sentimentos e como nos relacionamos com nosso entorno, nossa comunidade e desafios que nos circundam.

Alguém que se diz com propósito de contribuir para a diminuição das queimadas na Amazônia, é alguém que se sensibiliza com esse assunto a tal ponto que sente a necessidade de atuar ativamente em prol dessa causa.

Neste sentido, o tempo de vida e o acúmulo de referências, podem sim nos ajudar a refinar o que realmente nos motiva e nos conectar com nosso propósito.

Criar uma rotina de ouvirmos o que nossos sentimentos tem a nos contar e com qual tema nosso coração passa a bater mais forte é essencial para nos conectarmos com nosso propósito. Há muitas maneiras de realizarmos essa (re)conexão com nós mesmos. Desde meditação até aulas de teatro, consciência corporal, natação, caminhada ou apenas ficar quietos, simplesmente observando o que faz nossos olhos brilharem. Cada um encontra um caminho pessoal.

Sabemos que encontramos nosso propósito quando sentimos uma tensão interna, como quando vemos alguém que amamos, aquele nervoso gostoso. No momento em que nos deparamos com um problema social ou um trabalho com que sentimos que podemos contribuir muito. Bingo! Esteja certo que é nesse trabalho, hobby ou atividade a que faz sentido nos dedicarmos, pois trará realização.

Sobre o autor:

Sérgio Serapião

Empreendedor social, fellow Ashoka, atua há +14 anos com longevidade, cofundador e diretor da Labora, 1a startup de RH (HRtec) voltada para integrar talentos seniores a profissões do futuro, solucionando desafios de empresas e sociedade. Fundador do Movimento LAB60+, laboratório social colaborativo que busca soluções práticas para a co-construção de um mundo mais longevo. Membro do conselho do Sistema B Brasil.

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