Aprendizado

Nossos e novos amigos, um bem precioso

por Denise Mazzaferro
4 de março de 2020

Na vida adulta, as pessoas que passaram pela sua vida podem ter seguido caminhos diferentes. Como lidar com a perda de amizades?

Por: Ronny Sison – Unsplash

Um estudo recente mostrou que a solidão pode aumentar o risco de morte de 26 a 45%, o equivalente a fumar 15 cigarros por dia. Entre as 9 características comuns nas cidades identificadas como “Zonas Azuis”, locais do mundo onde são encontrados o maior número de centenários, duas delas estão relacionadas à importância das interações sociais. Susan Pinker, uma das pesquisadoras que estuda a importância dos relacionamentos e contatos face a face na longevidade, afirma que esse fator tem mais relevância do que os hábitos saudáveis, como alimentação e prática de atividade física.

Colocar as relações sociais em nossa lista de prioridades são imprescindíveis, uma vez que as mudanças nas relações familiares e no nosso modo de vida são irreversíveis. As relações familiares estão mais distantes, os núcleos são menores e o estresse das grandes cidades faz com que os encontros presenciais aconteçam com menos frequência. Atualmente, os grupos de Whatsapp “família” substituíram a boa conversa cara a cara.

Mas o que podemos fazer para preservar nossos amigos, e mais importante, para fazer novos?

Cultivar interesses e hobbies

É importante deixar os preconceitos de lado e procurar novos espaços. Nessa busca, não se deve priorizar espaços destinados às pessoas idosas, mas sim aqueles que tenham atividades que são do seu interesse. Manter os passatempos e conversar sobre eles  é sempre um bom gancho para o início de uma conversa.

Substituir conversas virtuais por um café

Insistir em encontros pessoais, um cafezinho, um almoço. Os contatos pessoais nos proporcionam o abraço, o olhar nos olhos, o apoio, que são extremamente importantes.

Protagonizar nossas relações

Os relacionamentos são únicos e dependem do nosso comportamento em relação a eles. Não podemos culpar nossos familiares, que não tem mais tempo para nos visitarem, ou o fato de que não temos mais amigos, porque todos faleceram. A responsabilidade pela manutenção e construção de novos vínculos é nossa também.

Em seu TED, Susan Pinker diz: “O contato cara a cara propicia benefícios incríveis, apesar de quase um quarto da população dizer que não tem ninguém para conversar. É um imperativo biológico saber que não estamos sós. Construir interação com pessoas em nossas cidades, em nosso trabalho, reforça o sistema imunológico, inunda de hormônios do bem-estar o sangue e o cérebro, e nos ajuda a viver mais. Construir sua vila e mantê-la é uma questão de vida ou morte.”

Veja aqui o TED:

Sobre a autora:

Denise Mazzaferro

Denise Mazzaferro é mestre em gerontologia, sócia da Angatu IDH, membra do Conselho do OLHE (Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento) e autora do livro “Longevidade – Os desafios e as oportunidades de se reinventar”.

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