Aprendizado

Minha vida, minha história em qualquer tempo

por Denise Mazzaferro
17 de março de 2020

Para muitos, envelhecer é motivo de desespero e preocupações. Para outros, a velhice é a continuidade da vida, repleta de possibilidades e de grandes realizações.

Foto: Daisy OBryan- Unsplash

Para muitos, envelhecer é motivo de desespero e preocupações. Sentem que o tempo corre mais rápido com uma certa nostalgia por não terem aproveitado a vida em sua plenitude, querendo recuperá-la agora.

Para outros, a velhice é a continuidade da vida, repleta de possibilidades e de grandes realizações.

Nossa desenvoltura diante da vida é um processo vai e volta à medida que o tempo passa, e ela simplesmente acontece. Ela o tempo todo nos chama para sermos escritores de nossa própria história e não expectadores ou vítimas do que o “destino” nos traçou.

Nosso crescimento depende da capacidade individual de assumirmos a responsabilidade por nossa história. Definitivamente, não estamos aqui somente para representá-la, mas para sermos autores e protagonistas do papel que nós escolhermos.

E crescimento individual não tem idade. Essa pode ser sua possibilidade de RE-invenção. A educação é essencial para este processo. Esse é o caso da pedagoga Bernardete Santos, 62. Moradora de Curitiba, ela termina ao final do ano o curso técnico em massoterapia no IFPR (Instituto Federal do Paraná), e já tem planos de estudar fisioterapia na UFPR (Universidade Federal do Paraná). É dessa vitalidade que ela fala quando diz na entrevista “fiquei a mais feliz do mundo, a gente que tem certa idade vai trabalhar por conta, e os cursos ajudam nessa mudança de atividade.”

Dentro da mesma perspectiva, porém vista pelo lado do mercado, em matéria publicada no jornal Valor Econômico, Santiago Iñiguez, reitor da espanhola IE Business School, uma das dez melhores escolas de negócios do mundo, menciona que as grandes escolas de negócios ainda não despertaram para o fato de que os seus futuros alunos não serão os jovens da chamada geração milênio, nascidos a partir de 1980, mas sim os profissionais na faixa dos 50 anos de idade ou mais.

Para o reitor, os profissionais acima de 50 anos têm mais recursos, experiência e estão mais bem preparados para iniciar novos negócios e ensinar como especialistas. “Temos dados que comprovam que os executivos seniores querem continuar se educando, mesmo quando, teoricamente, deixam o mercado de trabalho”, afirma.

O ambos os casos nos mostram é que chegar aos 60 anos hoje não representa mais aproximar-se do fim. Para muitos, as possibilidades de poder viver a vida com mais liberdade, sem obrigações de criar e educar filhos, tornam-se a oportunidade de reinventar-se, viver novos projetos. Muitos deles tecidos através da busca de novos conhecimentos, exatamente como se faz quando se é jovem, provando para todos que aprender é ganho em qualquer idade.

Woody Allen tem uma frase que gosto muito “interessa-me o futuro porque é o lugar onde vou passar o resto de minha vida.” É nele que todos nós passaremos nosso tempo, criando, reinventando-nos, produzindo. É para viver esse futuro que construo e reconstruo meus projetos.

Sobre a autora:

Denise Mazzaferro

Denise Mazzaferro é mestre em gerontologia, sócia da Angatu IDH, membra do Conselho do OLHE (Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento) e autora do livro “Longevidade – Os desafios e as oportunidades de se reinventar”.

Madu

Receba conteúdos especiais da Madu pelo seu email

Somos guardiões das memórias afetivas de tudo que vivemos e queremos compartilhá-las. Vamos juntas e juntos construir relações de afeto entre gerações? Te esperamos pra mais essa jornada! Conheça o nosso manifesto clicando aqui.

Veja nosso Manifesto