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Educação infantil: qual o impacto de se morar com os avós?

por Paulo Ishimaru
21 de julho de 2020

Morar ou conviver com os avós deve ser uma experiência educacional positiva para os netos

Foto: Monkey Business Images – Shutterstock

Com o aumento da expectativa de vida, crescem as famílias convivendo com três ou mais gerações nas mesmas ou diferentes casas. Essa nova configuração com avós, pais e filhos fortalece o laço familiar chamado avosidade, que está diretamente ligado ao exercício dos avós auxiliando as funções dos pais nos cuidados e na educação infantil dos netos.

Um artigo produzido na Universidade Católica de Brasília (UCB) afirma que “diante do aumento da longevidade, os idosos passaram não só a conviver mais tempo com seus descendentes, mas passaram a exercer diferentes papéis na dinâmica familiar, e a velhice passou a ocupar um novo lugar. Apesar da ideia de exclusão e de fragilidade associadas à velhice, além do apoio financeiro, o idoso pode ser uma figura de referência parental tanto para seus filhos como para seus netos”.

Nesse novo contexto familiar, a psicóloga Carolina Daniel Montanhaur* ajuda a elucidar como estão distribuídos os papéis na família e o impacto na educação infantil.

Quais principais conflitos ocorrem entre pais e avós no contexto da educação infantil?

Por conviverem pessoas de gerações diferentes, as opiniões sobre como educar as crianças podem ser diferentes, e isso pode ser um motivo de conflitos e desavenças. Pois os pais podem não concordar com o jeito como foram criados e desejarem aprender novas formas para os filhos. Avós achando que os pais são muito “moles” e devem inserir mais regras. Ou avós que “mimam” muito os netos, e os pais acreditam que é preciso alguns limites e regras.

Como essas famílias podem criar “estratégias de educação infantil” para minimizar esses conflitos?

Da mesma forma que as mães estão vivendo a maternidade pela primeira vez, ou de uma forma diferente, as avós e os avôs também estão vivendo uma novidade. Uma boa estratégia para evitar conflitos é esclarecer como os pais gostariam de ser ajudados. Os avós também podem perguntar de que forma podem ajudar (com os cuidados com os netos, com apoio emocional, apoio com as tarefas de casa) para que seja uma convivência tranquila a todos em um momento delicado. 

Como os pais da criança devem acolher a visão dos avós quanto à educação?

Os pais podem, quando desejarem, solicitar a visão dos avós: quais estratégias acreditam que funcionam mais, e também devem informar de uma forma tranquila e objetiva quando não concordarem e dizer o que estão pensando. Uma outra estratégia, é que os pais e avós decidam, em conjunto, quais características e habilidades desejam para a criança (por exemplo, calma, educada, gentil, brincalhona), e como podem atingir esses objetivos juntos. As conversas entre diferentes gerações são muito ricas e podem ser de histórias, manias, culturas, dicas e momentos importantes da família. 

A educação infantil pode ser mais rica com a participação dos avós. Contanto, é fundamental o diálogo e respeito entre as gerações envolvidas.

*Carolina Daniel Montanhaur é psicóloga, mestre e doutoranda no Programa de Pós-graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem da Unesp Bauru e Especialização em Atendimento Interdisciplinar Preventivo na Primeira Infância pela Unicamp.  Possui experiência no atendimento de gestantes, puérperas, crianças com problemas de comportamento na primeira infância e orientação a pais.

Sobre o autor:

Paulo Ishimaru

Profissional de comunicação com formação em Jornalismo e pós-graduação em Gestão Estratégica de Negócios. Cursou Ciências Sociais e acredita que a comunicação, aliada à tecnologia, é uma das grandes ferramentas de transformação social e empresarial. Professor universitário nos cursos de Jornalismo, Marketing e Design.

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