Aprendizado

Divorciados: é impossível ser feliz sozinho?

por Beltrina Côrte
14 de fevereiro de 2020

O divórcio pode proporcionar um novo momento, novas descobertas, caminhos e desafios.

Foto: Daisy OBryan- Unsplash

Tom Jobim canta: Vou te contar/Os olhos já não podem ver/Coisas que só o coração pode entender/Fundamental é mesmo o amor/É impossível ser feliz sozinho…

Todos acreditamos e buscamos a felicidade no amor, seja ele qual for, mas é o amor dos casais que vem primeiro à nossa mente, e quem o encontra realiza um sonho, vive com prazer todo o ritual estabelecido pela cultura, envolve-se em compromissos diversos e em um definitivo, entre juras e promessas diante de autoridades de todo tipo, pais, padres e juízes, diante de Deus, casa-se com o amor de sua vida. 

Em pouco tempo, as consequências se fazem presentes na forma de filhos, e filhos não vêm ao mundo sem um envolvimento sexual complexo. A esse conjunto amoroso damos o nome de família, e fazemos das tripas coração para mantê-la unida, o que nem sempre é possível. 

Muitas famílias implodem, desestruturam-se, separam-se.

Mas se engana quem pensa preconceituosamente que um divórcio significa o fim de uma família. Ela persiste, adapta-se, transforma-se… De uma, nascem duas, e mesmo com todas as dificuldades, os protagonistas originais, usando a experiência adquirida, atuam para aperfeiçoar aquilo que têm e aquilo que podem conquistar. 

A vida não termina com o divórcio. Começa com novas descobertas, novos caminhos, novos propósitos e desafios. 

O divórcio ocorre em todas as idades. Adultos, antes mesmo da separação, já se lançam ao mercado em busca de uma peça nova para substituir a que será descartada. Com mais ou menos dificuldade, a tendência é conseguir algo melhor, considerando que a peça anterior não servia mais para nada. 

Colocar dessa forma parece simples, mas, especialmente para a mulher, é extremamente difícil, principalmente se tem filhos. Ela sofre discriminação, luta contra o cansaço físico e mental, costuma enfrentar dificuldades financeiras e deitar-se, na maioria das noites, na companhia do fantasma da solidão. 

E quando a separação ocorre entre idosos? 

Numa fase em que a preocupação maior está em dar suporte para filhos e netos, ou voltar a ter uma vida a dois e viajar, a decisão da separação baseia-se em uma história de vida na qual um dos pares ou ambos resolvem prestar contas com a vida e decidem que é melhor estar só do que na companhia de uma pessoa com a qual não dá mais, apenas cumprindo um contrato que não tem mais razão de ser. É hora de viver a vida. 

O divórcio chega como conquista, libertação, um basta aos bons costumes que obriga um e outro a aturar situações em nome da família. Aquela família que é comercialmente consumida, a do comercial de margarina da tevê. 

A separação de casais com mais idade aumenta a cada ano, segundo dados do IBGE. Os motivos são diversos. Alguns deles estão relatados no livro Começar de novo – O divórcio na terceira idade, da escritora americana Deirdre Bair, que ao refletir sobre o número cada vez maior de separações nessa fase da vida, percebe que a expectativa de vida cada vez maior permite recomeços e a procura da felicidade. Aliás, leitura recomendada.

A escritora entrevistou mais de 400 pessoas, entre homens e mulheres de 60 anos ou mais, que se divorciaram depois de anos convivendo juntos, muitas vezes sem companheirismo. Lembranças dolorosas de alguns, alívio de outros, os muitos divorciados entrevistados se confessam felizes pela separação ao decidirem partir em busca de projetos pessoais, novos amores e companheirismo.

E, você, o que tem a dizer?

Se quiser saber mais:

Começar de novo – O divórcio na terceira idade:
Autora: Deirdre Bair
Tradução: Fal Azevedo
Preço: R$ 54,00
384 pp. | 14×21 cm
ISBN: 9788532525383
Assuntos: reportagem/relatos
Selo: Rocco

Sobre a autora:

Beltrina Côrte

Beltrina Côrte é jornalista, doutora em Ciências da Comunicação e docente da PUC-SP. CEO do Portal do Envelhecimento e Espaço Longeviver.

Madu

Receba conteúdos especiais da Madu pelo seu email

Somos guardiões das memórias afetivas de tudo que vivemos e queremos compartilhá-las. Vamos juntas e juntos construir relações de afeto entre gerações? Te esperamos pra mais essa jornada! Conheça o nosso manifesto clicando aqui.

Veja nosso Manifesto