Aprendizado

Como são os cuidados na terceira idade ao redor do mundo

por Daniela Santilli
26 de agosto de 2020

Por quem são cuidadas as pessoas idosas pelo mundo? Como é esse cuidado?

Foto: KenSoftTH – Shutterstock

Em países de primeiro mundo, a cultura do idoso é diferente da nossa aqui no Brasil. Em primeiro lugar, as crianças são criadas para se tornarem independentes por volta de seus 16, 18 anos, idade e que costumam sair de casa para cursar a universidade. Dificilmente voltam depois, mas isso não é ruim, é visto de forma positiva.

Dessa forma, é comum encontrar universitários trabalhando como jardineiros, pintores ou cuidadores de idosos. Forma de ganharem seu primeiro dinheirinho. Em países onde a cultura do idoso é vista como prioridade, como na Holanda,  na casa de repouso Humanitas, alunos da faculdade de medicina passam por uma triagem rigorosa, para poder morar com os idosos e, em troca, devem passar 30 horas mensais e de qualidade com os moradores. Seja cozinhando, fazendo compras, organizando eventos. 

Nos países do Oriente, já é mais comum que os idosos sejam cuidados pelos filhos, que devem reverenciar os anciãos da família. Idosos são tidos como sábios, por terem anos a mais de experiências de vida e, em muitas famílias, são consultados diante da tomada de qualquer decisão importante. Atualmente, há casos nos quais é possível notar que essa tradição de respeito tem sido deixada de lado e podem-se encontrar idosos abandonados. A cultura do idoso, nesses casos, é deixada de lado por jovens ambiciosos, sendo que ações como essas podem criar graves problemas para a economia desses países. 

De forma geral, em países europeus, a relação com casas de repouso não é tão mal vista como aqui no Brasil. Os europeus preferem muitas vezes morar num residencial para idosos, pois sabem que poderão fazer amigos da mesma faixa etária e, assim, terão vida social. É importante saber que casas de repouso na Europa são muito aconchegantes, e respeitam muito a individualidade de cada um, considerando que os idosos não esperam ficar debilitados para se mudarem para uma.

O trabalho de cuidador de idosos também é diferente fora do Brasil. Em primeiro lugar, não existe a cultura de ter um funcionário todos os dias dentro de casa. Esse tipo de mão de obra é extremamente caro, portanto são usados em casos de extrema necessidade. O segundo ponto é que todos têm acesso a uma boa educação, então é normal você encontrar cuidadores graduados, que falam mais de uma língua e viajados. Geralmente, as famílias contratam cuidadores de outros países como forma de economizar, uma vez que um estrangeiro se submete a salários bem mais baixos em troca de estadia.

Ou seja, a diferença básica em relação à cultura do idoso é a escolaridade e a cultura dos cuidadores, assim como casas de repouso que mais parecem um condomínio. Por tudo que tenho visto no Brasil, acredito que estamos trilhando um bom caminho nesse sentido, com o surgimento de cursos profissionalizantes e a criação de casas mais humanizadas.

Sobre a autora:

Daniela Santilli

Daniela Santilli, fundadora do Plano Cuida Idoso, onde escreve e compartilha sobre cuidados, direitos e experiências com a terceira idade, formada cuidadora de idosos pela Cruz Vermelha, estudante de Gerontologia. Atua no mercado atendendo a pessoa idosa e seus familiares em casa, onde trabalha segurança, organização, afeto e reinserção social da pessoa idosa.

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