Aprendizado | Saúde

Como posso perceber e evitar situações de violência?

por Sérgio Serapião
27 de abril de 2020

Existem múltiplos tipos de violência contra a pessoa idosa. Como é possível evitá-las?

Foto: SpeedKingz -Shutterstock

Viver em comunidade é enriquecedor, mas também pode ser desafiador. Qual é o meu limite e o do outro? Até que ponto uma linguagem ou ação minha ou do outro pode ser invasiva e até ofender ou agredir meu interlocutor?

Podem parecer questões muito distantes, até que nos afetem diretamente. E quando nos atingem podem ser devastadoras, seja como vítima ou mesmo como pessoa agressora. 

Como perceber e evitar situações de violência?

Primeiramente, criar consciência sobre o que me ofende e quais são os limites que o outro passa a me ofender é muito importante. A partir da consciência, precisamos comunicar claramente ao nosso interlocutor. Ao fazer isso, de forma direta, estabelecemos um limite,  nosso limite. E abrimos espaço ao diálogo.

Tipicamente, situações de abuso começam de forma informal, até que vão crescendo e se estabelecendo como relações não saudáveis. Seguem algumas dicas práticas de como podemos nos preparar para evitar esse tipo de situação:

  • Trabalhe sua autoestima. Valorize a si mesmo. Nosso limite de amar e nos relacionar com o próximo está diretamente relacionado ao quanto nos amamos. A prática do autoamor, compaixão e autoestima tende a nos preparar para entendermos melhor nossos limites e construirmos relações melhores.
  • Perceba suas atuais potências. Seu momento de vida pode trazer limites e também potências. Evite julgar-se menor por estar mais velho. Evite aceitar ou replicar memes e piadas por Whatsapp ou Facebook, que reforcem a imagem do velho fragilizado.
  • Desenvolva-se por toda vida. Mantenha seus interesses e curiosidade ativos. O sentimento de estarmos sempre aprendendo e nos desenvolvendo tende a contribuir ativamente para nossa autoestima, além de criar situações diversas de relacionamentos
  • Sonhe. Mantenha metas e planos para si. Onde quer estar daqui a dez anos? Como pretende estar? Com quem? Construa essa realidade a partir de suas possibilidades. Evite se entregar a dias sem razão de ser, evite “navegar num mar aberto sem destino”. 
  • Participe ativamente da vida familiar e/ou comunitária. Engaje-se em atividades que lhe promovam prazer e com as quais pode contribuir, seja na educação dos netos, nas atividades domésticas ou em questões da rua, comunidade ou bairro.
  • Esteja atenta(o) para potencial coerção para uso de sua aposentadoria, por exemplo, por uso de crédito consignado em benefício de outros familiares que não o próprio idoso
  • Diversifique sua vida social e amplie suas experiências. Ao nos mantermos ativos  em grupos de seniores e intergeracionais, nossa capacidade cognitiva melhora, e nosso senso de limites e potências aprimora-se continuamente. Busque o que tiver interesse e o que encontrar disponibilidade perto de si, seja para práticas esportivas, de atividades físicas, entretenimento, seja para atuação com trabalho ou voluntariado.

Se essas ações não forem suficientes, é importante denunciar e solicitar ajuda, seja para outras pessoas de sua confiança, seja para órgãos públicos de direitos humanos e assistência social, como os Conselhos Municipais de Direitos da Pessoa Idosa.

Não podemos deixar que os nossos limites sejam ultrapassados ou nossas regras sejam não respeitadas. Nem que seja um ente querido ou pessoa de poder com quem estejamos lidando.

Sobre o autor:

Sérgio Serapião

Empreendedor social, fellow Ashoka, atua há +14 anos com longevidade, cofundador e diretor da Labora, 1a startup de RH (HRtec) voltada para integrar talentos seniores a profissões do futuro, solucionando desafios de empresas e sociedade. Fundador do Movimento LAB60+, laboratório social colaborativo que busca soluções práticas para a co-construção de um mundo mais longevo. Membro do conselho do Sistema B Brasil.

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