Aprendizado

Como o Brasil poderia ser uma blue zone para idosos?

por Paulo Ishimaru
31 de agosto de 2020

Cuidar da espiritualidade, se alimentar bem e diminuir o stress são alguns dos comportamentos para viver mais e melhor adotados por pessoas que vivem nas Blue Zones

Foto: Jacob Lund – Shutterstock

Você já ouviu falar em Blue Zones? As Blue Zones (Zonas Azuis) são regiões do planeta onde a projeção de pessoas chegarem aos 100 anos de idade é maior que em outros locais. Nessas áreas, a expectativa de vida também está acima da média mundial, que era de 72 anos em 2016, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

As Blue Zones foram identificadas por Dan Buettner, jornalista americano da National Geographic, com o apoio dos pesquisadores Gianni Pes e Michel Poula, que identificaram pontos em comum nessas áreas.

As cinco Blue Zones no mundo

– Nùoro, vilarejo italiano montanhoso da Sardenha

– Icária, ilha da Grécia

– Península de Nicoya, na Costa Rica

– Vila de Lomo Linda, no sul da Califórnia

– Okinawa, no Japão

Nove comportamentos comuns identificados nas Blue Zones

1 – Movem-se naturalmente – Ao longo do dia caminham, fazem jardinagem e tarefas domésticas

2 – Objetivo – Ter objetivos de vida aumenta, em média, 7 anos de vida

3 – Ritmo de vida menos acelerado – Ter rituais de alívio do estresse nas rotinas diárias

4 – Regra dos 80% – Parar de comer quando seu estômago está 80% cheio e fazer sua menor refeição no início da noite

5 – O consumo de feijão aliado a vegetais, frutas e grãos inteiros e pouca carne

6 – Vinho – O consumo moderado e regular de vinho durante as refeições e com amigos

7 – Pertencimento – Fazer parte de uma comunidade religiosa acrescenta de quatro a 14 anos à expectativa de vida

8 – Família – Ter ligações familiares estreitas e fortes (com cônjuges, pais, avós e netos) é comum entre os centenários da Zona Azul.

9 – Comunidade – As pessoas que vivem há mais tempo no mundo têm amigos íntimos e redes sociais fortes.

Isabel Cintra Novaes*, gestora da moradia coletiva SitiOm, no município de Vargem Grande Paulista, em Grande São Paulo, onde os moradores vivem de forma colaborativa, próximos ao meio ambiente e com um estilo de vida com comportamentos semelhantes as das Blues Zones, apresentou ao portal Rede Bem Estar os benefícios da adoção de um estilo de vida saudável e em comunidade.

As pessoas estão buscando novas formas viver? Essa busca ou retorno a um modelo mais simples de vida tem a ver com o acesso à informação ou com a fuga das rotinas estressantes?

Acredito que as rotinas estressantes sejam a principal causa para essa mudança. A falta de tempo para estar com a família e praticar hobbies também é um fator cada vez mais importante. O contato com a natureza e a reconexão com os ciclos naturais são outros pontos que levam à mudança de hábitos. Acredito que cada vez mais está ocorrendo uma inversão de valores, em que ter tempo para fazer o que ama e estar com a família será mais importante que o dinheiro.

Vejo também uma busca por ações com propósito, as pessoas querem acreditar que estão fazendo algo por um mundo melhor. Além disso, a escassez de recursos está cada vez mais próxima de nós. Aos poucos, os seres humanos estão percebendo que é necessário mudar nossos hábitos e nossa forma de vida.

Como a tecnologia e a informação podem ser aliadas da sociedade, e não mecanismos apenas de fomento ao consumo e a ansiedade?

As redes sociais são ótimas formas de manter a proximidade das relações humanas, mesmo quando estamos longe fisicamente. Além disso, é possível criar ferramentas de colaborativismo on-line: redes de apoio, grupo de trocas, parcerias. A internet é incrível para difundir informações. É possível estudar, pesquisar, trocar informações, etc…

Qual papel da alimentação na nossa qualidade de vida?

A gente é aquilo que come. A alimentação é o que nutre nosso corpo. Por meio dela podemos ter um corpo saudável, gerando bem-estar e disposição. Os alimentos industrializados são muito práticos por serem rapidamente preparados e conservados por mais tempo, porém geralmente são ricos em calorias e vazios em nutrientes, dando mais trabalho do que energia para o corpo. Os alimentos naturais e integrais conservam macro e micronutrientes, essenciais para o bom funcionamento do corpo e da mente. Acredito que a longevidade está diretamente ligada à saúde e à qualidade daquilo que comemos! Quanto mais descascarmos e menos desembalarmos, melhor!

A espiritualidade pode ser uma aliada para o bem-estar geral?

O autoconhecimento é a chave para boas relações: nós com nós mesmos, nós com os outros e nós com o meio ambiente. Quando nos conhecemos, cultivamos uma relação melhor com a gente mesmo, sem tanta culpa, entendendo nossos altos e baixos. A meditação, por exemplo, nos permite observar nossa mente. Com a prática, somos capazes de perceber melhor nossas emoções e reagir a elas de forma mais consciente, evitando sermos “tomados” por sentimentos como a raiva e a tristeza. Quando percebemos que tudo passa, que tudo muda, aprendemos a lidar melhor com esses momentos. Também aprendemos a dar mais valor a momentos alegres, sabendo que eles também vão passar. Nada dura para sempre, por isso nos apegar às situações só vai nos trazer sofrimento.

Como a vida em comunidade favorece o bem-estar? Ela é possível para pessoas da terceira idade?

Acredito que, em comunidade, a vida é mais leve. Podemos contar com uma rede de apoio e dividir as tarefas, sobrando tempo para estar com a família, praticar hobbies, descansar. A vida comunitária também tem seus desafios, é preciso alguns ajustes: abraçar as diferenças, exercitar a comunicação, ser paciente. Mas o saldo é positivo. Somos seres sociais e vivemos assim por séculos. A vida comunitária, como na bluz zone, é um retorno às aldeias e tribos, porém, os laços agora não são apenas sanguíneos. Ideais de vida, religiões e “visões de mundo”, por exemplo, são a cola para comunidades!

*Isabel Cintra Novaes, jornalista, gestora e co-criadora do SitiOm, moradia coletiva em Vargem Grande Paulista!

Instagram – @_sitiomFonte pesquisada: Word Economic Forum

Sobre o autor:

Paulo Ishimaru

Profissional de comunicação com formação em Jornalismo e pós-graduação em Gestão Estratégica de Negócios. Cursou Ciências Sociais e acredita que a comunicação, aliada à tecnologia, é uma das grandes ferramentas de transformação social e empresarial. Professor universitário nos cursos de Jornalismo, Marketing e Design.

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