Aprendizado | Cuidado

Como estão os serviços e espaços de moradia para pessoas idosas no Brasil

por Denise Mazzaferro
8 de abril de 2020

Moradias para pessoas idosas devem ter a socialização como principal objetivo ao serem pensadas

Em termos de serviços de moradia para pessoas idosas, temos muito a caminhar, mas existem muitos modelos já implementados que podem servir como Boas Práticas. A própria política do Programa São Paulo Amigo do Idoso, do Governo do Estado de São Paulo, traz sugestões que precisam ser postas em prática. A iniciativa privada já vem se movimentando e aumentando o número de residenciais, centros de convivência, centros dias, serviços de cuidadores de idosos, entre outros. 

Mas o que nos falta para retirarmos o avião da pista de decolagem e realmente seguirmos a rota do envelhecimento populacional brasileiro?

A heterogeneidade da população brasileira nas questões socioeconômicas, culturais e étnicas, está refletida na realidade da velhice. Ela deve ser levada em consideração quando pensarmos em qualquer negócio para esse mercado. A sociedade e o mercado brasileiro precisam encontrar alternativas que atendam às necessidades da população idosa em crescimento, respeitem essa heterogeneidade, mas que promovam a socialização dessas pessoas.

Socializar é prevenção de saúde, é qualidade de vida.

Fazer amigos, namorar, sair é saúde, é vida.

Sonhar, ter objetivos, buscar realizações são razões para estarmos aqui.

Qualquer serviço de moradia, domiciliar ou de convivência tem que ter a socialização como principal objetivo – continuar a fazer com que eles sonhem, com que eles tenham objetivos e razões para viver.

Muitas vezes, parece que o discurso resolveu tratar o envelhecimento como o maior problema da atualidade e, daí para frente, sai o maior erro: multiplicar conceitos de negócios para resolver problemas e não para atender necessidades, sonhos, ideais de seus consumidores.

Em novembro de 2017, foi realizado o Fórum sobre Moradia para idosos promovido pelo Estadão. O evento discutiu qualidade de vida da terceira idade. Todos os gargalos e possíveis soluções para a criação de modelos de moradias que atendam às necessidades do idoso foram largamente discutidos por especialistas e profissionais, da esfera público e privada, num encontro que reuniu centenas de pessoas em São Paulo.

Um dos modelos debatidos foi o caso do Cidade Madura. O Programa do Governo da Paraíba, consiste na construção de condomínios exclusivamente voltados e adaptados para idosos que não possuem moradia própria ou que vivem em situações precárias. Ricardo Coutinho, governador do Estado, contou detalhes de como foi concebido o projeto que já implantou quatro condomínios na região durante a sua participação no Fórum de Moradia para Longevidade. “Foram investidos cerca de R$ 18 milhões para a construção dos residenciais em João Pessoa, Campina Grande, Guarabira e Cajazeiras. O investimento por residencial é de R$ 5 milhões”, ressaltou.

O projeto Cidade Madura é composto por 40 unidades habitacionais totalmente adaptadas às necessidades das pessoas idosas. Além disso, o residencial possui sala de atendimento médico e toda a sua área é urbanizada dentro das normas de acessibilidade. Clique aqui para saber mais.

Outro caso compartilhado foi o cohousing, apresentado pela arquiteta Laura Fitch, que se apaixonou por esse modelo após uma viagem à Dinamarca em 1984. É uma vida em uma comunidade que mantém a individualidade ao mesmo tempo que estimula o convívio social, e se transformou em um modelo de moradia. 

Em entrevista ao Estado, a hoje ativista ressaltou que o modelo é mais uma volta à necessidade básica humana de contato, e não uma invenção moderna. Relata: “Na verdade, eu diria que é um retorno a um modo antigo de viver. Quando éramos jovens, ou quando nossos pais eram jovens, era plenamente comum brincar na rua e viver fora de casa e ver as atividades das pessoas na rua. O que aconteceu é que as famílias ficaram menores e se mudaram para longe de suas famílias e as coisas ficaram mais urbanas. Mas a necessidade básica humana por contato ainda está lá. Estamos nos lembrando disso”.

O mundo já tem vários bons modelos para serem adaptados à nossa realidade. Precisamos correr para que esses modelos públicos e/ou privados tenham condições de atender o envelhecimento da população brasileira.

Sobre a autora:

Denise Mazzaferro

Denise Mazzaferro é mestre em gerontologia, sócia da Angatu IDH, membra do Conselho do OLHE (Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento) e autora do livro “Longevidade – Os desafios e as oportunidades de se reinventar”.

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