Aprendizado

Como é a cultura do idoso em diferentes países

por Daniela Santilli
26 de agosto de 2020
Foto: AshTproductions- Shutterstock

A China, o Japão e a Coréia são, em sua maioria, confucionistas. Confúcio foi um filósofo chinês, que enfatizou muito a estabilidade social e hierárquica, fazendo com que na cultura do idoso, eles estivessem no topo das prioridades familiares e sociais. Uma de suas virtudes é a piedade filial, que nas famílias mais conservadoras ainda se mantém.  

No Japão, a velhice é sinônimo de sabedoria. A cultura do idoso oriental têm como tradição cuidar bem e reverenciar os idosos. Isso se dá devido à educação milenar em que dignidade e respeito são dois valores cultuados por eles. Os mais jovens têm orgulho dos sacrifícios realizados pelos idosos em benefício da família, e é comum que os anciões da família sejam consultados antes que qualquer decisão importante seja tomada. O aniversário de uma pessoa idosa é festejado de forma solene. Um homem, ao completar 60 anos, na cultura do idoso, ganha o direito de usar um blazer vermelho, a cor dos deuses. 

Diferentemente do Brasil, no Japão não se pergunta a idade a uma mulher jovem, mas se pode perguntar a idade de uma idosa, que responderá com orgulho ter mais de 70 anos. A cultura do idoso no Brasil é praticamente inexistente. Aqui é feio envelhecer.

Talvez esse seja um dos motivos de eles envelhecerem bem. Admiram e reverenciam os anos de vida.

Na China, com mais de 178 milhões de idosos em 2010, precisou ser criada a Lei do Direito dos Idosos, que obriga que filhos visitem os pais com frequência, independentemente da distância de onde morem. Para os filhos que desrespeitarem, a punição é severa, varia de multa e chega a prisão. Essa foi a forma encontrada para amenizar o caso de abandono e isolamento de pais idosos.

A lei determina também que os idosos jamais sejam renegados e sejam zelados até mesmo por suas necessidades espirituais e mentais. Existe uma enorme polêmica em torno dessa lei, que não é rica em detalhes, de como ela deve funcionar, criando assim a possibilidade de pais processarem seus filhos. Ao mesmo tempo, é comum encontrar casos nos quais os avós criam os netos, enquanto os pais vão ganhar dinheiro nas grandes cidades. Problemas de uma sociedade com uma população gigantesca que sofreu e ainda sofre por ações políticas 

Uma particularidade da China é que é muito comum ver idosos de qualquer classe social mexerem no lixo da rua. Não há explicação clara para isso, talvez seja uma consequência da grande fome, na década de 1950.

Índios brasileiros – A cultura oral é muito presente nas tribos indígenas brasileiras, pois são os anciãos que carregam consigo a lembrança de suas crenças, tradições e valores. Sua história é preservada por meio de relatos narrativos, nos quais o idoso é um depositário de memórias.

Cada tribo tem suas tradições e suas peculiaridades. Na cultura Yanomami, por exemplo,  os indígenas fazem rituais funerários de seus mortos com a cremação dos ossos e ingestões de cinzas. Para nossa cultura, pode soar estranho, mas o ritual só é totalmente finalizado depois que as cinzas são transformadas numa espécie de purê de banana e servido num grande banquete aos seus familiares. Em sua cultura, um corpo que não passa por este ritual de respeito e afeto, ficam com seus espíritos vagando (forma de explicar na cultura do homem branco).

As tribos nômades, por sua vez, têm como mobilidade o seu estilo de viver, e prezam muito a autonomia de cada ser. Um idoso, um ancião de uma tribo nômade, tem na cultura do idoso a opção da escolha entre quando não se tem mais forças para caminhar e acompanhar os demais, poder se juntar a familiares ou de simplesmente ficarem sós até o final de suas vidas. Nesses casos, quando falecem, não existe nenhum tipo de ritual.

Judeus – O idoso judeu é muito respeitado na tradição judaica. Possui experiência e conhecimento, e sabe que deve transmitir para seus descendentes, por isso as festas são tão importantes, são passagens bíblicas. Para uma criança judia, a palavra de um idoso é sinônimo de respeito e obediência.

Ao enviuvar, depois do ritual de sete dias de rezas, os filhos e o idoso irão decidir juntos como será seu futuro. Morar com um dos filhos ou seguir a vida morando só e, se necessário, contratar uma equipe de profissionais para seus cuidados futuros. Há casos em que um filho pode se mudar para casa do pai ou da mãe. Não há regra, é uma decisão coletiva,  respeitosa e amorosa. 

A relação dos avós com seus netos é sempre muito próxima. A começar pelos encontros semanais do Shabat, que costumam ocorrer na casa dos avós, e também pela importância na transmissão da tradição judaica para as crianças. 

Sobre a morte, existe uma pessoa que cuida do corpo e do traslado do falecido, proporcionando assim que os membros da família possam ficar de luto juntos para rezar e lembrar das coisas boas deixadas pelo familiar. Eles acreditam que a alma leva 7 dias para ir embora. Apenas depois de um mês é que é possível “inaugurar” a sepultura, já é possível visitar. A inauguração propriamente dita se dá apenas após o primeiro ano de falecimento.

Assim como para os católicos, é uma perda muito triste e com muitos rituais: nos primeiros 7 dias, no primeiro mês e no primeiro ano, existem celebrações realizadas entre parentes e amigos, cheias de simbologias e união. Para os católicos, a cada visita no cemitério, é comum que levemos flores ou velas para enfeitar o túmulo. Para os judeus, a tradição pede que deixem uma pedra em cima do túmulo depois de uma visita.

Fonte:

Portal do Envelhecimento – O envelhecer em diferentes partes do mundo

Super Interessante – O sabor da própria carne

Comciencia – Envelhecimento

Amazônia Real – Enterros de indígenas sem rituais

Povos Indígenas no Brasil – Povo: Yanomami

Sobre a autora:

Daniela Santilli

Daniela Santilli, fundadora do Plano Cuida Idoso, onde escreve e compartilha sobre cuidados, direitos e experiências com a terceira idade, formada cuidadora de idosos pela Cruz Vermelha, estudante de Gerontologia. Atua no mercado atendendo a pessoa idosa e seus familiares em casa, onde trabalha segurança, organização, afeto e reinserção social da pessoa idosa.

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