Aprendizado | Economia

Aposentei, e agora?

por Sérgio Serapião
11 de março de 2020

Aposentei. E agora? O sonho das pessoas é viajar e aproveitar a vida. No entanto, nem sempre esse sonho é realizado. Muitas vezes há um questionamento sobre o que fazer para ser útil a partir de agora. Como fazer para reinventar a vida e ter momentos de qualidade?

Foto: Monkey Business – Shutterstock

O conceito da aposentadoria foi inventado na Alemanha, no fim do século 18, quando notou-se que pessoas mais velhas diminuíam a produtividade em indústrias, onde o trabalho era fisicamente desgastante. 

De forma simplificada, o pensamento foi algo como: “se retirarmos essas pessoas da produção, elas vão atrapalhar menos. Assim, aumentamos a produção com os mais jovens. Com o ganho obtido, ainda conseguimos pagar uma pequena contribuição para que aqueles mais velhos afastados pudessem ter uma vida digna no pouco tempo que lhes restam”. Assim nasceu a aposentadoria: retiremos os idosos para seus aposentos, à espera do fim da vida.

Passados pouco mais de 140 anos, é fundamental revisarmos o significado da aposentadoria. Obtida após muitos anos de trabalho ou ao alcançarmos certa idade, continua sendo um benefício adquirido.

Porém, sem abrir mão desse direito, será que deveríamos vincular a aposentadoria  ao fim de nossa vida produtiva?

Mas fazer o quê depois que me aposento?

Reflexões contemporâneas, como o recente livro “A 100-years life” (numa tradução livre seria “Uma vida de cem anos”), escrito pela economista inglesa Lynda Gratton, nos ajudam a perceber que nossa aposentadoria será diferente do que apenas esperar o tempo passar ou isolar-se num aposento. Uma das mensagens recorrentes do livro é que precisaremos nos manter abertos e aprendendo o tempo todo.

Estudos médicos, como Epidoso, realizado pelo Centro de Estudos do Envelhecimento, da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP),  por mais de 20 anos, indicam que envelhece melhor quem se mantém ativo e em relacionamentos desafiadores e saudáveis com outras pessoas.

Isto significa dizer que mais do que ser o fim de carreira, a aposentadoria pode representar o início da segunda metade da vida profissional e realizadora de uma pessoa. O especialista em educação para o trabalho, Rafael Sanches, que por mais de 30 anos ajudou a preparar jovens ao mercado de trabalho, dedica-se a integrar seniores a essa nova jornada, a partir do Programa Reinvente-se!, voltado exclusivamente para pessoas acima de 50 anos.

Muitas iniciativas e cursos têm surgido voltados para esse momento de descoberta de pessoas maduras. Fontes importantes para acharmos essas oportunidades são movimentos da sociedade, como LAB60+ ou Trabalho 60+ e, claro, as universidades abertas para terceira idade, que se disseminaram pelo país e são ótimos pontos de partida para uma reflexão sobre “quem sou eu hoje, aos 60? O que quero? O que me realiza?”

Estamos vivendo um momento em que pessoas acima de 60 anos têm muitas possibilidades de contribuição e que a sociedade necessita da capacidade sênior atuante!

Estamos falando de possibilidades múltiplas que se abrem. Desde assumir novos papéis na família, na comunidade, novos trabalhos, estudos, voluntariado e empreendedorismo, etc. Se antes perguntávamos “o que você vai ser quando crescer”, podemos, agora perguntar “o que você vai ser quando amadurecer?”. 

Sobre o autor:

Sérgio Serapião

Empreendedor social, fellow Ashoka, atua há +14 anos com longevidade, cofundador e diretor da Labora, 1a startup de RH (HRtec) voltada para integrar talentos seniores a profissões do futuro, solucionando desafios de empresas e sociedade. Fundador do Movimento LAB60+, laboratório social colaborativo que busca soluções práticas para a co-construção de um mundo mais longevo. Membro do conselho do Sistema B Brasil.

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