Aprendizado

A diferença de idade nos afasta ou nos aproxima?

por Sérgio Serapião
6 de fevereiro de 2020

Como podemos entender as diferenças uns dos outros e fazer delas um aprendizado?

Foto: Sebastián León Prado – Unsplash

Pessoas com mais de 60 anos são chamadas de Geração Baby Boomer, e seus netos são provavelmente Geração Y ou Millennials. Essas nomenclaturas são desenvolvidas a partir de estudos que traduzem características comuns entre pessoas da mesma época. Se cada geração tem sua peculiaridade, é de se esperar que tenhamos diferenças na forma como lidar com situações cotidianas. Enquanto uns valorizam mais conversas estruturadas e profundas, gerações nativas digitais tendem a preferir agilidade na comunicação. Palavras são substituídas por siglas ou imagens. 

Mas será que, por serem diferentes, necessariamente estão fadadas a estarem sempre em conflito?

Entender como as diferenças do outro podem ser um diferencial por si, e vice versa, pode ser parte da resposta. Se pensarmos numa lógica cartesiana, os iguais se entendem; os diferentes, nem tanto. Porém, se mergulharmos na maneira como a natureza funciona, os ecossistemas estão repletos de exemplos de como uma espécie faz parceria com outra para atingirem objetivos comuns. Alguns tubarões no Oceano Atlântico passam horas desencalhando moluscos para que peixes dourados se alimentem. Estes, por sua vez, atraem outros cardumes, que são alimento dos tubarões. São animais com características e necessidades muito diferentes, mas convivem em harmonia, pois formam uma parceria.

O encontro de gerações em torno de um movimento

No movimento LAB60+ convivem pessoas de muitas gerações. Cada qual vem com um interesse e um propósito. Porém, há um combinado: não se discutem opiniões, mas sim, oportunidades de colaboração, uns nos projetos e ideias dos outros, para chegarem em fins comuns e todos se beneficiarem.

Conseguimos esse feito a partir da valorização da diversidade. Partimos do pressuposto que, se alguém é de outra geração ou simplesmente tem opinião diferente da minha, essa pessoa deve ter uma visão de mundo complementar à minha. Logo, pode me auxiliar com algo que não tenho, e vice-versa. Claro que, para isso ser possível, precisamos do segundo princípio, que é o da busca de objetivos comuns, para podermos colaborar. Quando entendemos que o outro está alinhado com o mesmo objetivo que nós, tendemos a aceitar melhor as diferenças, e realmente as enxergarmos como complementação.

Aplicando ao nosso dia a dia, em relações intergeracionais, que tal buscarmos enxergar algo que possamos aprender com o outro? Indo além, numa conversa passageira ou num convívio diário, buscarmos encontrar um ponto de colaboração ou assunto que tenhamos em comum. Pode ser futebol ou sobre o bairro, mas o reconhecimento de que há interesses e demandas em comum nos leva a uma convivência mais harmônica e construtiva. Assim, a troca intergeracional pode se tornar inspiradora e instigante.

Praticar o convívio entre diferentes gerações é prepararmo-nos para a construção de projetos mais ricos para uma sociedade mais longeva. 

Convido todas e todos a se engajarem no movimento LAB60+ e a experimentarem a prática da intergeracionalidade nos Cafés ComVida, que ocorrem diversas vezes ao mês. Acessem a agenda completa atualizada e venham conhecer!

Sobre o autor:

Sérgio Serapião

Empreendedor social, fellow Ashoka, atua há +14 anos com longevidade, cofundador e diretor da Labora, 1a startup de RH (HRtec) voltada para integrar talentos seniores a profissões do futuro, solucionando desafios de empresas e sociedade. Fundador do Movimento LAB60+, laboratório social colaborativo que busca soluções práticas para a co-construção de um mundo mais longevo. Membro do conselho do Sistema B Brasil.

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